Feitos de Carne e Sangue
Feitos de carne e sangue
Frágeis como o fim de nosso tempo
Apodrecendo a cada dia
Num marchar para caminho comum
Com destino certo e provável
E carregamos tanto orgulho vazio
Tanta fama involuntária
Tanto prazer em ter prazer
Uma veste rude para algo maior
Nossas almas traduzidas em atitudes morais
Discutimos com nossos dogmas físicos
Queremos derrubar a posição alheia
Como se a diferença fosse causa
De uma semelhança que faz efeito
Do espelho que somos de todos que nos percebem
E seguem alimentando este casulo
Como se a pupa feia e disforme fosse nos revelar diferentes
Somos completamente ausentes de nós mesmos
E teimamos em querer comparar
Aquilo que é díspar por excelência
E calcado nesta imensa diferença
Saímos pra lugar nenhum
Pois certos de nossa presença
Descobrimos ser apenas um
Ser humano é ser comum
E nossas armaduras são multicoloridas
Feitas para brilhar sob o sol
E para absorver a luz da lua
Propositalmente frágil
Nossa pele sangra ao menor sinal de pressão
A opressão moral vem da exclusão que nos divide
A desclassificação social da minoria que agride
A violência física dos ideais que dividem
E a morte, pela estupidez dos que se inibem
Frente à beleza de ser diferente
E o sangue vermelho que da vida quando contido
É igual ao que dá a morte quando se esvai
E neste momento não há diferença
Se branco se preto, se homo, se pobre, se acertos ou enganos
Longe de toda bobagem, todos; seres humanos
E tomara um dia
Que a ignorância que criamos
Tenha o final almejado
Pois bem dito sim é aquele
Que se reconhece no diferente ao seu lado.
Um beijo e um sorriso...
