A vida vivida intensamente...

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

e-mail para...

Hoje eu acordei com aquele seco na garganta. De novo. Vire e mexe isso volta e, quando não volta num dia frio, vem num dia quente e lindo, como hoje. Mesmo se estou feliz, o seco vem avisar que felicidade é um yakult, que vai acabar antes do fim do gole. Nessa hora não adianta rolar na cama, o melhor que eu tenho a fazer é levantar logo de uma vez. Chorar melhora sempre, mas chorar me deixa numa melancolia que atrai várias lembranças tristes, e eu cansei de chorar por tudo o que faz tanto sentido pra mim, mas que se eu sentar pra te explicar em detalhes, vou parecer louca... e sabe, estou meio com preguiça de sempre parecer louca, prefiro fazer cara de bem resolvida.

Sábado eu estava numa casa e todo mundo ria, bebia e relembrava muitas coisas. Eu passei mais da metade da noite olhando fixamente pra um vaso de flores e me perguntando o que ele fazia na fruteira se ele não era fruta. Ontem mesmo, em meio àquele trânsito caótico eu fiquei olhando pras placas dos veículos e fazendo combinações matemáticas. Eu fico meio com síndrome do TOC quando estou assim pirada, e a confusão do mundo me incomoda tanto que eu queria passar meses lavando as minhas roupas, e fazendo listas de tudo o que eu preciso melhorar. De preferência, com luvas.

Enjoei do restaurante que eu almoçava, coisa que herdei da infância, quando eu não gostava dos lanchinhos da cantina e era a única garotinha a levar lancheira. Eu carregava a minha esquisitice pelo pátio e desde cedo aprendi que ser a gente mesmo tem seu peso, principalmente quando sentimos a necessidade de realmente ser.

Às vezes acho que ter uma casa cheia de paredes e almofadas coloridas, objetos estranhos com valor sentimental, CDs com músicas preferidas-misturadas resolveria meu problema, me encheria do meu mundo a ponto de eu parar de sentir tanta falta de outras coisas e outras pessoas. Talvez se minha casa fosse sempre cheia de pessoas (amigos) acabaria ocm o meu terrível medo de ficar sozinha...

Eu perdi o deslumbramento (num sei se exatamente essa palavra) com o amor, com o trabalho e com a beleza. Eu descobri que o amor escolhe as pessoas, emprego não é diversão e belezas são relativas. E daí eu me pergunto: o que exatamente seria uma vida extraordinária? Nas poucas vezes em que senti algo realmente extraordinário, eu estava brincando de não ser eu, estava fazendo algo errado, ou estava vivendo algo que acabaria rápido e que jamais seria contaminado pelo tédio. Viver extraordinariamente é isso então? É estar fora da nossa própria vida? É viver pouco várias coisas? É viver muito poucas coisas? É ser um personagem de um roteiro que a gente muda toda hora?

Eu sei, eu sei, o mundo tá cheio de gente desabrigada, sem teto, doente, sofrida e morrendo de fome. Tá cheio de guerras, explosões, corrupções e desastres. E eu sou fútil com a minha tristeza sem desgraças. Mas não seria ainda mais fútil e desgraçado eu ser feliz nesse mundo? Sei lá, é só mais um e-mail bobo, se a gente tivesse nascido em outro tempo, seria uma carta boba que eu nunca teria coragem de enviar e que seria descoberta pelos meus netos escondida num baú.

Pois é, o mundo vai se modernizando e a gente continua com essa angústia pré-histórica aqui no peito e na garganta.


Mas o bom é que isso passa... apesar de tudo...
Aprendi isso com aquela pessoa sábia do outro post... e os ensinamentos dele insistem em ficar martelando na minha cabeça...

mas deixa pra lá!!

Um beijo e um sorriso...

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

SOBRA...

Sobra algo em mim.
Coisas dadas a você, concebidas para ti.
Sobra o amor nascido meio às avessas;
Aos nossos descompromissos com o mundo lá fora.
Sobram os desejos que me escorrem pelos cantos da boca;
Dos nossos corpos unidos pelo carinho.
A alegria trazida na bagagem.

Sobra tudo aqui dentro.
Tudo o que vivemos.
As vontades de ir ao teu encontro,
De rir de nossos risos,
De beijar nossos beijos,
De grudar minhas mãos nas tuas e destilar os mesmos momentos.
Sobra em meu nariz o odor adocicado da tua pele, do teu perfume.

Sobra..
A necessidade de ver teus pés andarem pela casa;
Do costume de fazermos a comida juntos,
Partilhar a mesma música, o mesmo ritual.
Das minhas reclamações e dos teus agradecimentos...

Tudo sobra...
Menos o meu amor por ti.

Um beijo e um sorriso...

terça-feira, 18 de outubro de 2005

O tempo...

Cazuza já cantou: O TEMPO NÃO PÁRA!!!

O tempo passa, e como passa rápido, deixa marcas, lembranças, alegrias, nostalgia...
O tempo passa e com ele algumas pessoas...
O tempo é responsável pela minha felicidade hoje... da mesma forma que a tristeza que carrego em meu peito também provém desse maldito tempo... tempo que escorre pelos dedos quando quero que ele páre... tempo que pára, quando eu gostaria que ele voasse...

Hoje, mais do que nunca, sei a importância do tempo... que insiste em passar...

O fim de semana me ensinou a importância do momento presente... e a não importância do momento que está por vir... e por mais que eu já estivesse cansada de saber que o que está por vir pode não chegar, só agora eu consegui entender isso na prática...


Hoje eu sou uma pessoa mais sábia, porque pude aprender muito com exemplos vivenciados por uma pessoa querida... sou mais sábia porque resolvi não pensar no tempo e deixar que as coisas acontecessem naturalmente...
e porque consegui entender que tudo o que me acontece agora é, de certa forma, pro meu bem... mesmo que eu vá perceber esse bem só mais pra frente na minha vida...

Aprendi que meu caminho está sujeto a curvas inesperadas... e que essas curvas não dependem de mim... sei que esse final de semana meu caminho fez uma curva... e se eu não tivesse conhecido aquela pessoa, se eu não tivesse aceitado aquele convite, meu caminho ainda estaria como antes... e eu não seria tão sábia, por não ter convivido momentos inesquecíveis ao lado de uma pessoa tão sábia...

mas o tempo não parou no final de semana...
e o tempo não vai parar no decorrer dos dias...

e isso vai nos levar por caminhos dististos, sem não deixar de lado a lembrança daquele tempo bom que passamos juntos ensinando um ao outro!!!

Hoje posso dizer com toda convicção que superei o tempo em que eu acreditava em contos de fadas... e que o tempo que eu passei com aquela pessoa incrível, eu pude aprender que o melhor de toda tristeza é que ela é passageira!!!

Viva o tempo... porque tempos melhores sempre estão por vir!!!

Um beijo e um sorriso...

quinta-feira, 13 de outubro de 2005

Dia das crianças


Ontem fomos passar um dia das crianças diferente... deixamos de lado as preocupações que hoje nos circundam, deixamos de lado as coisas de adultos e voltamos a ser crianças no Termas de Pitangueiras...
Aos amigos que estavam comigo... nada a declarar a não ser que eles fizeram toda a diferença nesse dia!!! Adoro vocês, meus amigos!!
E quando quiserem voltar a ser crianças novamente, não exitem em me chamar... vou adorar o convite!!


"E uma mulher que acalentava um bebê disse,
- Fale-nos de Crianças...
E ele disse:
- Tuas crianças não são tuas crianças.
Elas são os filhos da Vida que anseia por si.
Elas vieram através de ti mas não de ti,
E a despeito de estarem contigo elas não te pertencem.
Tu podes dar-lhes teu amor mas não teus pensamentos,
Pois elas têm seus próprios pensamentos.
Tu podes hospedar seus corpos mas não sua almas,
Pois suas almas habitam a casa do amanhã,
que tu não podes visitar, mesmo em teus sonhos.
Tu podes empenhar-te para seres como elas, mas não tentes
fazê-las serem como tu,
Pois a vida não caminha para trás nem coabita com o Ontem.
Tu és o arco do qual tuas crianças,
como flechas vivas, são impulsionadas.
Arqueiro vede a marca sobre a trajetória do Infinito,
a Ele te dobra com Seu Poder para que tuas flechas
sigam velozes e para longe.
Deixes que a flexão na mão do arqueiro seja para o
contentamento e a felicidade;
Pois assim como Ele ama a flecha que voa,
Ele ama também o arco que seja firme"

Gibran Khalil Gibran - O Profeta - 1923

Um beijo e um sorriso...

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Distâncias

A distância que me separa do que quero é muito maior do que minha capacidade de avaliá-la. Por isso mesmo não persigo, não sonho, não penso. Espero, apenas, que aquilo que quero me chegue de uma forma que eu nem perceba, de tal modo que me tome sem advertência e me deixe sem outra ação senão aceitar, por mais que eu, no íntimo a deseje e mesmo que, mentirosamente, a negue. Assim, tudo se justifica mais facilmente, tudo se encaixa, sem que eu tenha de explicar nada, principalmente a mim mesma.

Não que o que eu queira seja permanente, uma vez que a vida é feita de pequenos quereres, de durações variáveis, medidas por vontades, desejos, coisas de emoção e, como tal, fora de parâmetros racionais ou físicos.

A distância que me une ao que eu preciso é mínima e facilmente percorrida, apenas para perceber, ao final, que o destino mudou ligeiramente de lugar e outra pequena distância me espera. Nada complicado, nada difícil, só que insatisfatório, pro cotidiano, mesmo que se mostre fundamental, apesar de ser mais que suficiente.

A distância entre mim e o que necessito não existe, desde que me despoje de tudo que quero e despreze o que eu preciso, o que faria, talvez, com que eu me perdesse de mim mesma, preço pequeno, quem sabe, para uma tal de paz interior que, em muitos casos, representa uma aceitação passiva, senão uma espécie de satisfação negociada comigo mesma, quase uma trapaça.

A distância que me separa dos outros é inversamente proporcional ao interesse mútuo e à busca por algo que não seja, simplesmente, estar perto. É uma distância assimétrica, diferente nas duas direções e que tende a se tornar mais irregular e inviável, quanto mais emoção for usada como unidade de medida, deformando percepções, impondo perspectivas, acionando sentidos. Tende a ser intransponível.

A distância que me isola de mim mesma é fluida, irregular, variável. Umas vezes me perco para, em outro momento, me descobrir mais forte e bem próxima daquilo que penso de mim. Em muitas outras vezes me sinto próxima de um ideal que eu criei para, em segundos, perceber que era miragem, que ideais não são idéias. E me vejo ao longe, tentando discernir em mim algo que não sinto, mas que está lá.

As distâncias entre o que quero, o que preciso e o que necessito são mínimas, pontuais até, e pouco me dividem no tempo, no espaço, no estar, na simplicidade de apenas ser. São, entretanto, enormes, abissais, no sentir.


Billy... quem é vivo sempre aparece né!!!
por que não tem mais um blog?!! adorava as coisas que você escrevia...
só respondendo suas perguntas, Novo Horizonte é a cidade onde eu moro (minha família), eu estudava em Taquaritinga (na Fatec) e agora estou morando em Jaboticabal, estagiando na Unesp. Fiquei muito feliz em saber que você ainda se lembra de mim!! eheheh e quem sabe a gente ainda se tromba pelos ônibus da vida... afinal continuamos pegando a mesma linha né!!! ehehhe

Frog... já linkei seu novo blog aki, ok!!!
obrigada por ter se lembrado de mim tbm!!

Gonzo... seja bem vindo ao mundo dos Blogs... ele é mágico!! hehehe

Free e Cássia... gosto muito de vocês... muito obrigada pelos comentários deixados pra mim!!! Sorte pra vocês, ok!!!

E a todos os outros leitores, obrigada pelo carinho!! vocês são muitíssimos importantes pra mim!!

Um beijo e um sorriso...