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Hoje eu acordei com aquele seco na garganta. De novo. Vire e mexe isso volta e, quando não volta num dia frio, vem num dia quente e lindo, como hoje. Mesmo se estou feliz, o seco vem avisar que felicidade é um yakult, que vai acabar antes do fim do gole. Nessa hora não adianta rolar na cama, o melhor que eu tenho a fazer é levantar logo de uma vez. Chorar melhora sempre, mas chorar me deixa numa melancolia que atrai várias lembranças tristes, e eu cansei de chorar por tudo o que faz tanto sentido pra mim, mas que se eu sentar pra te explicar em detalhes, vou parecer louca... e sabe, estou meio com preguiça de sempre parecer louca, prefiro fazer cara de bem resolvida.
Sábado eu estava numa casa e todo mundo ria, bebia e relembrava muitas coisas. Eu passei mais da metade da noite olhando fixamente pra um vaso de flores e me perguntando o que ele fazia na fruteira se ele não era fruta. Ontem mesmo, em meio àquele trânsito caótico eu fiquei olhando pras placas dos veículos e fazendo combinações matemáticas. Eu fico meio com síndrome do TOC quando estou assim pirada, e a confusão do mundo me incomoda tanto que eu queria passar meses lavando as minhas roupas, e fazendo listas de tudo o que eu preciso melhorar. De preferência, com luvas.
Enjoei do restaurante que eu almoçava, coisa que herdei da infância, quando eu não gostava dos lanchinhos da cantina e era a única garotinha a levar lancheira. Eu carregava a minha esquisitice pelo pátio e desde cedo aprendi que ser a gente mesmo tem seu peso, principalmente quando sentimos a necessidade de realmente ser.
Às vezes acho que ter uma casa cheia de paredes e almofadas coloridas, objetos estranhos com valor sentimental, CDs com músicas preferidas-misturadas resolveria meu problema, me encheria do meu mundo a ponto de eu parar de sentir tanta falta de outras coisas e outras pessoas. Talvez se minha casa fosse sempre cheia de pessoas (amigos) acabaria ocm o meu terrível medo de ficar sozinha...
Eu perdi o deslumbramento (num sei se exatamente essa palavra) com o amor, com o trabalho e com a beleza. Eu descobri que o amor escolhe as pessoas, emprego não é diversão e belezas são relativas. E daí eu me pergunto: o que exatamente seria uma vida extraordinária? Nas poucas vezes em que senti algo realmente extraordinário, eu estava brincando de não ser eu, estava fazendo algo errado, ou estava vivendo algo que acabaria rápido e que jamais seria contaminado pelo tédio. Viver extraordinariamente é isso então? É estar fora da nossa própria vida? É viver pouco várias coisas? É viver muito poucas coisas? É ser um personagem de um roteiro que a gente muda toda hora?
Eu sei, eu sei, o mundo tá cheio de gente desabrigada, sem teto, doente, sofrida e morrendo de fome. Tá cheio de guerras, explosões, corrupções e desastres. E eu sou fútil com a minha tristeza sem desgraças. Mas não seria ainda mais fútil e desgraçado eu ser feliz nesse mundo? Sei lá, é só mais um e-mail bobo, se a gente tivesse nascido em outro tempo, seria uma carta boba que eu nunca teria coragem de enviar e que seria descoberta pelos meus netos escondida num baú.
Pois é, o mundo vai se modernizando e a gente continua com essa angústia pré-histórica aqui no peito e na garganta.
Mas o bom é que isso passa... apesar de tudo...
Aprendi isso com aquela pessoa sábia do outro post... e os ensinamentos dele insistem em ficar martelando na minha cabeça...
mas deixa pra lá!!
Um beijo e um sorriso...

