A vida vivida intensamente...

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Emaranhado de coisas...

Palavras. Um monte. Como se alguém tivesse jogado um punhado delas aqui dentro e chacoalhado minha cabeça. Com força. E me deixado virada. Acontece também com idéias. Mas hoje só com palavras. Verbos. Adjetivos. Pronomes e afins. Todos juntos. Misturados. Sobrepostos. É preciso organizar tudo. Escrever. Montar com o embolado de palavras frases subordinadas. Assindéticas. Revelar sujeitos ocultos, esconder determinados. Transformar passivas em ativas. Refazer. Mudar.
Tem dias em que escrever torna-se coisa difícil. Dias em que palavras emboladas custam a voltar pro lugar.

"Não sei onde e quando isso aqui vai parar, mas sei que quando parar estaremos juntos." - Lama Bonanza

Duas coisas que aprendi nesses últimos dias (entenda-se últimas 2 semanas):
* aqui o Sol ofusca menos os olhos...
* confusão traz felicidade...

Um beijo e um sorriso...

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Carta

Queria poder te mandar esta carta. Mas sei que não responderias. Seria inútil que ela chegasse, enfim. Não será por isso que não irei fazê-la. Pelo contrário. Irei até o final. Para que eu possa reler finitas vezes, pois sei que voltaremos a nos ver. Recitá-la-ei, portanto, de tanto que lhe sei, quando retornarmos.

Tolice minha ater-me diante da falta de tua resposta. Estás tão perto que sequer preciso escrever. Basta que eu pense, muda e estática, para que te alcance. Não necessito mover um músculo para sentir-te por completo. Deixarei que minha saudade envolva você. Na eternidade de meus momentos, estarei tão perto que será difícil separarmo-nos.

Condição que já ocorre. Mesmo desunidos pela lacuna física que nos distancia, o sentimento que me permeia, preenche qualquer distância. E te sinto em cada passo, em cada ato que pratico, em cada medo que desfaço, encaro, em cada lembrança que relança a esperança de ver seu rosto de menino na próxima esquina. A pureza de seu semblante simples que carrega meu juízo para além destas ruas. Deixando minhas vontades todas nuas, minhas verdades todas cruas e os dias com sóis e luas de tão completa a minha felicidade ao percebê-lo.

Queria que se apagassem as estrelas nesta hora. Para que todos percebessem que elas apenas refletem a lucidez que vem de sua direção. Apropriando-se da propriedade intrínseca da sua personalidade brilhante e reluzente. Que você nem sente, quase que dormente. Os astros noturnos então te seguem e perseguem sua posição. Querem ser expectadores de sua linda passagem. Tentando aprender aquilo que não se ensina por não haver meio. O que não se dá por não se possuir. Este seu jeito, seu acerto, seu defeito, sou eu quem nota. Talvez, quem sabe uma vez, ou outra, seja possível a ti, sentir o quanto te percebo; o como te concebo.

Por mais que eu pareça exagerada, desmedida e sem propósito juro que tudo isso é normal, sincero e real. Duvido que aquele verbo agregue todo o valor que lhe meço. Que caiba em quatro letras a imensidão de sentires que afloram ao som de seu corpo intenso. Desconheço a palavra, ou conjunto delas, que revele a descrição de sua nudez (falta de máscaras) desfeita pela minha presença e pelo meu toque, na mais completa escuridão, ausentes de visão. Quando seu contorno vem à mente pelos caminhos trilhados por meus dedos que te enxergam mudos, sem dizer sequer uma sílaba.

É para estas horas de estar sozinha que me preparei quando fiquei a te admirar. Por saber que estes momentos ainda são necessários é que lhe interiorizo. Percebo cada gesto. Sua voz, seu andar, seu "perfume" (cheiro). Teu gosto fresco que não provei, mas que me inunda o paladar e sempre desconcerta minha noção de certeza. Sua imparidade de beleza, sutil, ardil, febril, desarma qualquer defesa que eu nunca tive (pra você). Se te abriguei no meu abraço em alguns momentos, é porque precisei sabê-lo por inteiro nestas temporadas de singular morada. Vives em minha existência e serei sua pelo tempo que a vida permitir.

Pense em mim, para que minha nuca esquente. Para que eu tenha as orelhas vermelhas de tanto você lembrar. E que não demore para que eu sinta seu cheiro pela escada (pode ser a da sua casa mesmo!). Para que eu me veja nos teus olhos marcados. Que eu possa em breve estar, mais uma vez, fluindo amor em sua vida.

Como já disse antes, ao seu lado não é lugar; é o único momento, em que existo feliz. E que o próximo final seja diferente... pode até ser o mesmo banco do metrô da República, a mesma escada rolante, a mesma falta de assunto na hora da despedida... mas que o final NÃO SEJA O MESMO...


Amo você, criatura! "eu acho"...

Um beijo e um sorriso...