A vida vivida intensamente...

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

Pequena Verdade - para Biel!!

Nunca é cedo o bastante
Quando é tarde demais
Por mais pueril que seja a madrugada
É noite eterna quando já se foi

E a volta nunca volta

Há tempo para se fazer outra vez
Possível repetir mesmos erros
Tentar de diversificada forma
Mas acertar é sempre inédito

A eficácia elimina a mesmice

Desrotinifica atitudes simples
Torna cada gesto único
Potencializa qualquer atitude
Requerendo atenção imensa

Desastres nascem instantaneamente

Aquela palavra ríspida
O gesto não meditado
A falta de tato
O excesso de sensibilidade

Atrocidades são sempre banais aos que praticam

Reverter certos atos é impossível
Conseguimos apenas reduzir o impacto
A bofetada já foi dada, porém
Não será esquecida

Retirar a culpa não elimina o verbo

Engraçado pensar assim
Mas só sabemos o doer
No exato momento em que o sentimos
Não dói no físico quando recordamos

Lembrar sim, traz sentimentos

Transporta-nos a um estado vivido
Remonta certa particularização de nosso real
Emergindo angústias
Nó no peito que quem lembra sabe:

Dói só de lembrar

Quando for errar
Seja completamente ignorante
Faça-o por puro desconhecimento
Tenha o que aprender com sua atitude

Não espezinhe quem você gosta

Agir por pura picardia é idiotice
Não existe vitória
Na derrota daquele
Que devia ser resguardado

Da nossa cruel capacidade de fazer sofrer

Atinja com sua ira
Apenas seus reais inimigos
Que felizmente existem
Sinceros como nuvens carregadas

Que por vezes relampejam e trovejam

Exclua seu amor de sua mira
Afine sua pontaria
Preserve a incolumidade e a paz
De quem optou por estar ao seu lado

Sujeito às suas intempéries

Saber da disposição alheia
Não é sinônimo de usurpação
Acreditar que pode acontecer
Não é convite ao merecimento

Antes de urrar silencie

Olhe a sua volta
Perceba se os que te circundam entenderão
Meça se valerá a pena discursar aos surdos
Ao perceber que estão vocês sozinhos

Abrace-a, para não ferir-lhe os ouvidos

Conduza seu calor no prazer do aconchego
Respire quente no interior do corpo dela
Acaricie aquele rosto magnífico
E após respirar levemente

Agradeça sem ter um aparente por que

Lembre-se que é bom fazer bem
Que na vida escolhemos alguém
Por quem vale a pena receber e dar
Uma vida que nos ensina constante

Não ser preciso sofrer para amar


Um beijo e um sorriso...

terça-feira, 27 de setembro de 2005

A escada

À minha frente mil degraus de uma escada.

Faço-me passo e cada passo me retém.

Em marcha fúnebre o compasso da passada.

Eu cabisbaixa a escada e mais ninguém.

Um corrimão quer me guiar na caminhada,

sem que me diga aonde vai, de onde vem.

A minha mão soergo a custo e pego o nada.

E como sempre a mão no nada me sustém.

"Urge seguir" sugere longe voz calada.

E um novo passo o corpo lasso leva além.

A meio-termo mais distante é-me a chegada:

passo no tempo, mas do instante sou refém.

E toda escada é sempre assim: rosa e espinho.

Fere e perfuma, enquanto diz qual o caminho.


Um beijo e um sorriso...

terça-feira, 20 de setembro de 2005

Confusa...

Minha cabeça não para....milhões de pensamentos passando como um furacão. Dúvidas, anseios, receios, algumas vezes tristezas, outras solidão...

Pensamentos positivos também transitam por minha cabeça confusa.... tantos sonhos, tantos desejos!!!

Vivo no meio de um turbilhão de sentimentos, que me consomem, me confundem, me sufocam... Por vezes esse mesmo turbilhão me alegra, me fascina, me alucina.

Menina-mulher, que anda se perdendo no meio de tantos pensamentos. Alguém me ensina como parar tudo e não pensar em nada de vez enquanto.

Menina-mulher, que já aprendeu que nem tudo são flores...

Menina que continua a sonhar.

Mulher que corre atrás dos seus sonhos....

Mas uma coisa é certa pensar tanto ando me consumindo, pois como minha imaginação é fértil, como sou criativa, até me assusto....

As vezes eu só queria mesmo é ficar quietinha e não pensar em nada...

Um beijo e um sorriso...

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Divagações...

"O quanto eu te falei que isso vai mudar.
Motivo eu nunca dei.
Você me avisar, me ensinar, falar do que foi pra você,
não vai me livrar de viver...
Quem é mais sentimental que eu?!?!
Eu disse e nem assim se pôde evitar..."
Sentimental (Los Hermanos)
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CACOS

Pedaços e estilhaços
Largados e jogados por toda parte
Seu rosto na lembrança
Nas roupas, seu perfume
Na garganta, o gosto amargo do adeus
Lembranças do que não foi vivido, nem realizado
Planos engavetados, sonhos apagados
E uma raiva que insiste em permancer
Raiva de mim, que não soube gritar
Raiva de ti, que não ouviste meu silêncio
Agora, o nada
O nada que a falta de sua presença me trás
O nada que me invade ao tentar respirar
Pedaços
Estilhaços
E mais nada...
Leandro Faria Chaves, 15/08/2005
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-O que você queria me falar?
-Ah, nada... Esquece. Besteira.
-Você é mais solto na net, né? Na minha frente você trava, não tem coragem de desabafar.
-Pois é. É muito mais simples dizer as coisas olhando pro monitor do que olhando nos olhos.
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-Por quê eu sinto tanto ciúme dele se é apenas meu amigo?
-Mas ele é só seu amigo?
-Sim, já definimos isso... A situação é muito estranha e complicada pra ser mais do que isso.
-Então, por quê sente tanto ciúme dele?
-Essa foi a pergunta que eu te fiz.
-Eu sei... E, como eu, acho que só você sabe a resposta.
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-Te amo, te amo, te amo!
-Ama mesmo? E a overdose?
-Passou! Era só quando eu te via todos os dias. No momento em que você entrou no ônibus, antes mesmo de ir embora, uma saudade dilacerante me tomou.
-Entendo exatamente o que quer dizer.
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"...O medo de perder o que se ama faz com que avaliemos melhor muitas coisas. Assim como a doença nos leva a apreciar o que antes achávamos banal e desimportante, diante de uma dor pessoal compreendemos o valor de afetos e interesses que até então pareciam apenas naturais: nós os merecíamos, só isso. Eram parte de nós./ O amor nos tira o sono, nos tira do sério, tira o tapete debaixo dos nossos pés, faz com que nos defrontemos com medos e fraquezas aparentemente superados, mas também com insuspeitada audácia e generosidade. E como habitualmente tem um fim - que é dor - complica a vida. Por outro lado, é um maravilhoso ladrão da nossa arrogância./ Quem nos quiser amar agora terá de vir com calma, terá de vir com jeito. Somos um território mais difícil de invadir, porque levantamos muros, inseguros de nossas forças disfarçamos a fragilidade com altas torres e ares imponentes./ A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura./ Às vezes é preciso recolher-se". Lya Luft
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"São os falsos mitos da juventude para sempre. E isso também inclui a febre atual da mídia, particularmente nas revistas femininas. Só se fala como se pode ter vários orgasmos numa única noite. Só se fala em como a mulher deve agir para segurar seu homem pelo sexo, especialmente o oral. São fórmulas de um mundo conturbado, que foge ao afeto, distante de qualquer felicidade. Essa é outra coisa para o enlouquecimento. Em todo lugar, o que existe é a supervalorização do sexo. Quem não estiver fazendo sexo sem parar o tempo todo passa a ser anormal. Muita gente fica complexada porque não consegue vários orgasmos numa noite. É tudo uma imposição". Lya Luft
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"Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem." Lya Luft

Encontrei alguém que me entende!! eheheh tôa dorando essa Lya Luft!! ehhehe

Um beijo e um sorriso...

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Desvio

Por vezes preciso de uma música triste
Que revele meu estado de espírito
Que traga a tona aquela dor que faz tanta falta
Depurando a vontade que se esconde

Sob as vestes da comodidade incômoda

Que incomoda pela mesmice
Que deturpa pela babaquice
De se achar que ter pena de nós próprios
É atalho para sermos salvos de nós mesmos

Grandiosa putaria que fazemos

Prostituindo nossa imaculada felicidade
Em troca de momentos vis e toscos
Personificados em corpos sujos
Que nos invadem com aqueles toques assépticos

Prefiro mãos impregnadas de desejo, de verdade

Quero o suor do esforço
Daquele que lutou para me conquistar
Quero o cheiro de corpo cansado
O gosto do gozo alcançado

A exaustão maravilhosa dos que se apaixonam

Meretriz de alto nível a auto piedade
Chega travestida em mansidão
Cheirando a paraíso
Quente e úmida como o inferno

Assando a pele e queimando o juízo

Envolve como o exímio dançarino
Que ao levantar seu peso do solo
Carrega você para nuvens
Deixando-nos a mercê de exterior desejo

Trocando obscenamente nossa liberdade

Por vontades podres
Usa um corpo que não é dele como quer
Posicionado como dono da situação, pois
Sinalizando para um fim antecipado

Que nós mesmos procuramos

Quando desistimos de tomar a vida sob controle
Achando que o mundo seria bom e gentil
Esquecendo que ele compete conosco
Que quer se sobrepor a nossa existência

Imperioso ser forte pra caralho

Foda-se se não te acompanharam
Se a velocidade do seu cruzeiro é demais para os demais
Se o espaço que você ocupa é imensidão
Se seu jeito não é tão dócil

Se de suposições vivem os que te rodeiam

Só não pare de continuar por causa disso
Lute com toda força e inteligência
Detone cada fraco pensamento que lhe sobrevier
Aniquile qualquer pedido de piedade interior

Algoz é aquele que nos dá chance

Ficamos preguiçosos, ridículos: odiosos
Tornamo-nos lesmas que rastejam
Quando sabemos voar e caçar
Deixamos o rastro inocente das presas

Quando deveríamos terminantemente predar

Sejamos justos quando derrotados
Que choremos, que odiemos
Mas com total franqueza
Pois fraqueza é esconder-se do inevitável

Passividade é medo em forma bruta, inerte, ilesa

Lapide este sentimento esfuziante
Que prepara o corpo para a fuga
Prevendo o perigo onde não se enxerga
Pondo fim ao que nem começa

Use-se a seu favor

Encare a morte com sua sorte
Esbraveje, lute, sofra
Mire seu inimigo e corra
Diretamente de encontro a ele

Faça desta encruzilhada uma enorme trombada

Ruidosa, enorme, ruinosa
Alguém ira perder neste embate
Se for você melhor: aprenda
Se for alguém, sem dó: ensine

Nunca tome atitudes desmotivadas

Pare de desperdiçar tempo
Com coisas que você nem sabe se quer
Ele não se mede pelo que se usou
Mas justamente pelo que não mais se tem

Seu faltar é medida de seu desperdício

Seja urgente, direto e preciso
Forte, inteligente e conciso
Mire a alma das coisas
Pois ao alcançá-la

O corpo já terá sucumbido

Trace sua meta com calma
Pense em seus movimentos
Sossegado, tranqüilo
Siga sua rota firmemente

Só permita a você ser seu desvio

Um beijo e um sorriso...

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

As reticências e o ponto final

Eu quero ser uma tarde gris
Quero que a chuva corra sobre o rio
O rio que por ruas corre em mim
As águas que me querem levar tão longe


Ana Carolina in Uma louca tempestade


Há pessoas que são pesadas. Mas não parecem. Levamos um grande tempo para perceber que nossos ombros estão curvados por carregá-las. O mesmo tempo que levamos para descobrir que fomos mais um elo em sua corrente de histórias mal resolvidas. Correntes que as fazem arrastar os pés pela vida afora.
Então nos perguntamos como foi possível vermos sensibilidade onde havia apenas fragilidade; encanto poético onde havia apenas inconsciente egoísmo; amor pela vida onde havia apenas medo de viver. Como foi possível deitarmos em reticências e servir-lhes de muleta por tanto tempo, tornando-nos também reticentes e medrosos.
Quando esta percepção se faz clara, é hora do ponto final. Este sinalzinho gráfico que encerra uma idéia, um texto, uma crença, uma esperança, um sonho, uma obsessão. Ele é cru, decisivo e cruel. Mas imbuído de uma sinceridade única. O ponto final não engana, não cria falsas esperanças, não abre espaços para a dúvida, não gera vãs expectativas.
Ele se contrapõe claramente às reticências, esta tríade inconclusiva que por vezes engana, pela sua natureza irresponsável e inconseqüente. Embora nem sempre saibamos definir a natureza política de cada um dos pontos das reticências, sabemos com clareza a covardia que eles escondem em situações como esta. As pessoas reticentes são covardes por apatia, por insegurança, por resignação. Têm dificuldades para usar o ponto final, tendendo sempre a acrescentar a ele mais dois pontos. Por medo da responsabilidade do ato individual e solitário. Pela falta de coragem para assumir a responsabilidade de levar a vida e não apenas deixar que a vida as leve.
Por vezes, nos vemos tão envolvidos nas reticências de algumas pessoas que perdemos de vista o ponto final. Esquecemo-nos que, para voar, as forças precisam se equilibrar, o peso precisa ser dividido e o rumo traçado em sintonia de corpos e almas.
Mas é sempre hora de alijar dois pontos destas reticências, olhar o infinito e experimentar novas asas. Ainda que o vôo inicial seja doído e solitário. Porque o ponto final é também o ponto de partida. Para um novo texto, para um novo vôo, para uma nova vida.

Um beijo e um sorriso...