Falando no amor...
Hoje quero falar de amor. Mas não o amor universal, pregado por Cristo.
Quero falar do amor egoísta. O único amor que conheço.
Diariamente, leio em média três textos falando de amor. Em todos eles, o amor ideal. O amor sublime. Aquele que preenche e que satisfaz por si só.
Não conheço este amor. O meu amor é exigente. Ele exige reciprocidade, respeito e liberdade.
Milhares de anos atrás, apaixonei-me por um cafajeste. Tenho tendência a este tipo de paixão. Funciona como um desafio - meio como um teste à minha resistência. Ou como um teste à minha capacidade de transcendência.
Contra todos os prognósticos, a paixão virou amor. Durante quase 7 meses amei intensamente um homem que desvalorizou cada carinho que lhe dei.
Um dia, acordei. Olhei para ele e me perguntei o que fazia ao seu lado. Mentalmente, fiz a listagem dos ganhos e perdas e descobri a maior das perdas: a minha individualidade. Com um adeus elegante, saí da sua vida (assim como sai da vida de todos os outros também). Foi um tempo de intensa aprendizagem. A partir daí, aprendi - ou desaprendi - a amar.
Algumas pessoas dizem que não sei amar. Talvez porque eu não saiba dar-me incondicionalmente. E nem saiba manter uma relação tranqüila, romanticamente estável.
Talvez não saiba mesmo o que é amar. Meu amor sempre esteve misturado à paixão. Amo com o corpo, alma, coração e razão.
Meu universo é feminino - universo castrador, feito de mapeamentos, escalas, réguas e inúmeras regras - mas não me prendo a gêneros.
Meu amor não é fiel. Não no sentido da unicidade. Nunca entendi como isso funciona, mas muitas vezes estive dividida entre dois amores. Alguns dirão que isso não é amor. Dê-se o nome que se quiser, mas em mim a INTENSIDADE dos sentimentos aponta para o amor. Sentimentos que me levam às nuvens ao mesmo tempo em que me arrastam num infinito caminho de dores e prazeres.
Mas aceito contestações, sejam elas quais forem.
Pensando bem, não sei falar de amor. Nunca soube. Mas acho que sei senti-lo. Mas porque eu precisaria saber falar? Camões e tantos outros falaram... e nunca conseguiram ser completos!
Bom, é isso...
Pensamento do dia: SURREAL
Para quem lê Rimbaud e dá risada;
Pra todo aquele cujo amor já não vale nada.
Para toda e qualquer contradição,
Pra tentar desvendar os mistérios do coração...
?Eu sou a chuva pra você secar?, agora.
Eu sou a estrada longa que você segue e vai embora.
Mais que qualquer coisa, eu sou o poeta surreal;
a mórbida frase que encerra o poema e ponto final.
Eu sou o ponto final.
?...porque reticências não me bastam?
Um beijo e um sorriso...

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