Janelas do tempo
Sou presente. De tempo e de mim mesma. Vivo por detrás do arco-íris colorindo-me com sua sombra. Às vezes invento-me. É preciso. São aqueles momentos em que o presente cala a minha voz e raios do passado passam por mim. Mas passado tem nebulosas que apagam as cores que me fazem. Então faço destes momentos pequenos hiatos que enterro em alto mar.
Olhar o mar se perdendo no horizonte líquido me faz pequena. Descubro que o mar não se perde. É minha alma que vive lá na frente. Querendo viver o segredo além dos meus olhos. Tenho pressa de vida. Mas a ampulheta me ignora. A areia escorre cronometrada. (cronômetros fazem meu coração disparar)
Amor feliz é aquele que está acima do tempo. Sem passado, sem futuro. Existindo apenas por si mesmo. Como o sol. Em torno dele giram sentimentos que gravitam entre o frio e o quente. Mas não o atingem. Existem para transformá-lo em centro de uma galáxia. É de amor feliz que quero ser feita.
Não há mistério no passado. Nem fantasmas. Há apenas vidas que brilharam. Destas vidas fiz meu banquete. Engoli o salgado, guardei o sabor doce. Mas meu sangue tem o tempero certo. Não precisa ressuscitar mel porque tira o doce do presente. Então passado só existe para ensinar futuro. A vida é presente e borbulha entre o ontem e o amanhã. Forte, quente e plena.
Não observo a vida. Quero-a dentro de mim. Também não quero vida que não seja minha. Nem quero colecionar frases de amor. Nem viver a mansidão do que não mais existe. Quero a incerteza do que virá. De alma desnuda, engolir vida nova. Olhos arregalados e boca pronta para morder fruta madura. E contar a felicidade em minutos na eternidade de cada um deles.
Pensamento do dia: A Seta E O Alvo - Paulinho Moska
"Eu falo de amor a vida. Você de medo da morte. Eu falo da força do acaso. E você de azar ou sorte. Eu ando num labirinto. E você numa estrada em linha reta. Te chamo pra festa. Mas você só quer atingir sua meta. Sua meta é a Seta no alvo. Mas o alvo na certa não te espera. Eu olho pro infinito. E você de óculos escuros. Eu digo te amo. E você só acredita quando eu juro. Eu lanço minha alma no espaço. Você pisa os pés na terra. Eu experimento o futuro. E você só lamenta não ser o que era. E o que era? Era a seta no alvo. Mas o alvo na certa não te espera. Eu grito por liberdade. Você deixa a porta se fechar. Eu quero saber a verdade. Você se procura em não se machucar. Eu corro todos os riscos. Você diz que não tem mais vontade. Eu me ofereço por inteiro. E você se satisfaz com metade. É a meta de uma seta no alvo. Mas o alvo na certa não te espera. Então me diz qual é a graça. De já saber o fim da estrada. Quando se parte rumo ao nada. Sempre a meta de uma seta no alvo. Mas o alvo na certa não te espera. Então me diz qual é a graça. De já saber o fim da estrada. Quando se parte rumo ao nada."
Um beijo e um sorriso...

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