O peso da Alcatra...
Fiquei "P" da vida com uma porra de uma merda que vi hoje. Entre outras coisas que faço aqui no trabalho, uma delas é cadastrar alunos e controlar a saída e entrada de livros aqui da biblioteca. Hoje estava cadastrando um aluno, quando chega um médico e pede pra retirar um livro para xerocar uma parte da bibliografia do mesmo. Como esse médico não era usuário da biblioteca, e não possuía cadastro, pedi que ele deixasse um documento dele comigo, e quando ele devolvesse o livro, eu devolveria o documento. E assim foi feito... Ele deixou a carteira do conselho regional de medicina (foi aí que descobri que ele era médico).
Mas o que me deixou "P" da vida foi que na sua carteira do conselho regional de medicina vinha escrito, no topo do documento em texto garrafal:
NÃO DOADOR DE ORGÃOS.
Tudo bem que ninguém é obrigado a ceder de livre e espontânea vontade pós mortem, através de um texto psicografado, que quer deixar seus restos mortais que os vermes vão comer e cagar depois para quem quer que seja. Mas um profissional de medicina, sujeito este que cursou no mínimo sete anos de um curso superior, fez residência, comeu o pão que o capeta não comeu porque estava tarde e foi dormir, e dizem as más e boas línguas fez um juramento em prol da saúde e integridade física do semelhante mediante seu esforço e saber, não ser doador de órgãos é no mínimo PUTARIA.
O cara depende, muitas vezes, de um órgão de outro paciente para salvar a vida de uma pessoa e em contrapartida botar mais uma graninha no bolso e mais um tijolinho de sua casa no paraíso. Este mesmo cara devia ser obrigado a ser doador de órgãos, pré-requisito da profissão, pois este malaco sabe mais que ninguém da importância da doação de órgãos para um e por vezes vários pacientes que empurram a morte com a barriga na espera de um transplante. Alguns destes agonizantes são bons contadores de história, outros não.
O avanço da biomedicina faz dos mortos geradores de sobrevida e é realmente intrigante um médico ser um não doador de órgãos. Aos médicos ou não, que são doadores parabéns. E aos médicos que não o são, ainda há vaga para açougueiro de nível superior por aí.
Após esse momento de desabafo... aí vai uma parte da música do Gonzaguinha para acalmar os nervos...
"Eu fico com a pureza da resposta das crianças
É a vida, é bonita e é bonita
Viver, e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz
Ah, meu Deus, eu sei, eu sei
Que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita"
O Que É, O Que É? (Gonzaguinha)
Um beijo e um sorriso...

Um comentário:
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