A escada
À minha frente mil degraus de uma escada.
Faço-me passo e cada passo me retém.
Em marcha fúnebre o compasso da passada.
Eu cabisbaixa a escada e mais ninguém.
Um corrimão quer me guiar na caminhada,
sem que me diga aonde vai, de onde vem.
A minha mão soergo a custo e pego o nada.
E como sempre a mão no nada me sustém.
"Urge seguir" sugere longe voz calada.
E um novo passo o corpo lasso leva além.
A meio-termo mais distante é-me a chegada:
passo no tempo, mas do instante sou refém.
E toda escada é sempre assim: rosa e espinho.
Fere e perfuma, enquanto diz qual o caminho.
Um beijo e um sorriso...

Um comentário:
Lindo poema.
Querida: Estou em dúvida se foi vc que pediu meu poeminha. Caso tenha sido, é claro que pode publicá-lo, sim. A felicidade que me proporcionou por ter gostado dele, não tem preço.
Bjs!
Elcio
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