Já falei que te amo???!!!

É como passar os dias contando estrelas. E revirar-se buscando as formas no corpo dele feito cama-céu no corpo-nuvem. É viver em duas cidades ao mesmo tempo. Achar o ângulo perfeito do sorriso enquanto o olho enxágua e ninguém percebe. É ter a tira-colo uma malinha de primeiros-socorros a qualquer espirro seu. É como guardar o amor da redondeza dentro do próprio peito. É exatamente ser como a criança que acredita nas bobagens do mundo. Que os mágicos são de verdade. Que as gueixas são amadas. E amam. Que a Cinderela nunca foi gata borralheira. Que os espartilhos não apertam. Que os coelhos realmente vivem nas cartolas. É perceber o dourado. O furta-cor. É acreditar na mocinha. É esquecer os bandidos. É perder a fome. A hora. É contar os dias. É sentir que o mundo faz sentido e que vale a pena viver nele. Que não há fome. Não há dor. Que os vizinhos não choram. Que não há despertador. É acreditar que o Bush não existe. Que o algodão-doce não dissolve se abandonado. É sentir borboletas na barriga. É não ter pés. Porque não há chão. É como se o mundo começasse e terminasse ali, sem qualquer bifurcação adiante. É passar por ridículos e aceitá-los como prêmios. É tremer. É olhar. Só olhar. Só querer observá-lo dormir como os gatos em seus sonos profundos, numa respiração lenta como reis em dias de impérios vastos. E bastar. É querer compor músicas. Poemas. Dramas. Crônicas. Narrativas. Prosas. Querer um grande cordel. Todas as camas são macias. Todas as redes foram feitas pra dois. Toda cadeira cabe mais de um. Todo hino devia ter seu nome. Todo podium devia passar você. E quando fossem balbuciar o que seria paixão deviam citá-lo. Porque tudo que lembra amor tem os teus olhos. De quando te soprei que sentia medos e frios na barriga. De quando falei que tinha feridas abertas. De quando te cochichei meus segredos. E você riu. [e ninguém me faz rir como você faz].E me revirei por não saber querer. Das coisas que não disse. Das frases que engasgaram e mal chegaram aos dentes. Dos sentimentos novos. Mais leves que os velhos. De quando deixei meu baú com coisas antigas naufragar. De nem se saber onde pisa, mas querer pisar mais fundo.
E sem você. É sentir-se despida no meio de uma multidão. É falar uma língua diferente. Num dialeto nunca visto. É ter medo de atravessar a rua sozinha. É achar o cinema frio. A cama grande demais. Os espelhos mal projetados. Os casais bizarros. O luxo desproporcional. Som nenhum tem melodia. Rosa não tem cheiro. Camisas desbotam fácil. Tapetes se desfazem. O mundo vai desabando de fininho e ninguém percebe. As grandes pinturas destoam. As poesias viram versos chulos. O mundo gira no sentido oposto. É querer ficar miudinha, enrolada no cobertor esperando que o dia termine. É chorar as lágrimas do mundo. É ver sóis negros. É nem ser. É não querer ter que me despedir de bilhetes como este, e dar continuidade a eles:
te amo. todo dia. o dia todo. nos quatro conjuntos de sete dias. nas minhas. e nas suas horas. o mês inteirinho, nos seus curtos fins de semana. nos feriados. nas datas comercias. nos dias não festivos. te amo desde o meu primeiro bom dia. e te congelo no meu último boa noite. até me despedir de ti e da minha insônia, pra te encontrar no meu primeiro sonho. pra depois estender a mão e te procurar na cama. pra te achar em mim bordado em linhas grossas enfeitando a minha pele.
[te amo todo dia. o dia todo.]
Um beijo e um sorriso...

3 comentários:
"E quando fossem balbuciar o que seria paixão deviam citá-lo. Porque tudo que lembra amor tem os teus olhos"
Moça, e preciso dizer algo?
dispenso minhas palavras...:-)
saboreando o momento desse suspiro
uia. boa sorte minha fia...
se cuida, esperando ocê pra tomar aquela com eu e meu sobrinho...
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