Antes...
Estou cansada de andar em círculos. Venha, no meio da noite, me leve pela mão para qualquer lugar. Em um sonho. E se você não correr, talvez não me encontre mais. Talvez eu me mude de mim. Assim, no meio da noite. Minha pele está derretendo agora, querido. Enquanto você dorme. Sei que suas noites são ainda mais frias. Mais que minhas noites sem estrelas. A minha pele está derretendo. E eu vou mudar. Mais e além do esperado. Talvez você não me reconheça. (É o que mais temo). Talvez você não consiga me ver no meio das outras pessoas. Estou virando pedra. Acho que nem você vai poder me salvar agora. Desculpe. E depois, separados por muros e cercas elétricas. Nenhum romantismo nisso. Nenhum sentido. Nada para culpar.
Estou muito cansada para andar em círculos ao redor do sol. Estou trancada no casulo. E não vou sair até o fim de dezembro. Quando cortarão pedaços de mim. Depois a felicidade vai chegar morna. E talvez eu não lembre mais de você. Talvez eu me torne alguém pior. Talvez eu morra em uma sala branca e verde água. E você nunca entenderá o sentido das minhas palavras. Sem música no ar, sem final feliz de filme açucarado. De qualquer maneira estou indo. Não posso mais voltar.
Desta vez sou eu que escorro entre seus dedos. Desta vez só depende de você. Guarde minha face no seu estômago (mesmo que eu seja indigesta). Amanhã tudo muda. Se lembre de mim crua. Essência. Lembre-se de mim agora, porque é assim que sou. (Ainda). Amanhã tudo será diferente: desculpe.



