mais um dia dos namorados...
E o ano vai passando, e novamente estamos no DIA DOS NAMORADOS...
E como de costume estou sem namorado nessa data (bom ou ruim??!!)... vai um texto que se encaixa muito na minha realidade.
AMOR VIRTUAL
Todo mundo tem uma história de amor pela internet para contar. Mas não conta; tem vergonha. É coisa de nerd: ficar de pijamão, madrugada afora, com a pupila dilatada, em frente ao computador - teclando e se deixando teclar, por pessoas de origem desconhecida, de procedência absolutamente aleatória, de caráter imprevisível, de histórico pouco confiável. Enfim, é uma loucura. Mas os riscos são mínimos e, por isso, não há quem não tenha tentado. (Ah, só uma tentadinha, vai...)
Se tudo fosse feito com amor e sem medo a vida seria vivida com uma diversidade de prazeres mais duradouros que os orgásticos, os amores não seriam meteóricos e a felicidade teria uma chance pra ser mais que um sonho, um substantivo abstrato, uma utopia. Amor é antes de tudo um estado de espírito, por essa razão existem tantos tipos e todos sem qualquer vínculo com regras. Amor não se define, se sente.
Acho que ando acreditando em amor virtual. Não adianta se valer do ceticismo da carne e dizer que a distância engana, que as pessoas não se conhecem, que pode haver desfeita e desilusão. Ando acreditando em amor virtual. Que destoa do amor de gestos, de toques, de olhares, de sorrisos, ele é alcançado da forma mais pura que eu vejo ser buscado, é o Amar o "eu", o íntimo, o âmago de uma pessoa. Pois nada é mais expansivo e verdadeiro do que se conhecer pela linguagem. Nada é mais íntimo e pessoal do que se doar pela linguagem.
Já não estou mais convencida da frieza do relacionamento na web, da articulação de fachadas e pseudônimos, da ironia e dos subterfúgios denunciados nos chats. O que acontece na internet reproduz a vida com seus defeitos e virtudes, não se pode exagerar na desconfiança. O amor virtual é tão real quanto o sangue. Não preciso enxergar o sangue para verificar se ele corre. O amor virtual trabalha com a expectativa e a ansiedade. Como um teatro que se faz de improviso, com a ardência de ser aceito aos poucos, sem o temor e os avisos em falso do rosto. As palavras "ditas" sem olhar nos olhos podem ter a interpretação que estivermos precisando no momento: entender sim onde foi não; quero onde foi dito talvez...
Na correspondência, há a esperança de ser amado e de entreter as dores. A esperança aceita tudo, transforma todo troco em investimento. Um gesto de redobrada atenção, uma resposta alentada, uma frase diferente, um cuidado excessivo, a cordialidade do eco e o amor se instala.
Não há o julgamento pelas aparências (que se assemelha a uma execução sumária), mas o julgamento em função do que se imagina ser, do que se deseja, do que se acredita. São raros os momentos em que se pode fechar os olhos para adivinhar. Adivinhar é delicioso - é se dedicar com intensidade às impressões mais do que aos fatos. Alguns dirão que é alienação permanecer horas e horas teclando ou diante de uma câmera e do computador. Mas é envolvimento, amizade, compromisso. É pressentir o cheiro, formigar os ouvidos, seduzir devagar. Não conheço paixão que não ofereça mais do que foi pedido.
Quem reclamava da ausência de preliminares deve comemorar o amor virtual? Nunca se teve tanta preliminar nas relações, rodeios, educação. Fica-se excitado por falar. Devolve-se à fala seu poder encantatório de persuadir. Afora o espaço democrático: um conversa e o outro responde. Findou o temporal de um perguntar para outro fingir que está ouvindo. No amor virtual, a linguagem é o corpo. Dar a linguagem é entregar o que se tem de mais valioso. É esquecer as roupas na corda para escutar a chuva. É recordar de memórias imprevistas como do tempo em que se ajudava à avó a contornar com o garfo a massa do pastel. Conversa-se da infância, dos fundos do pátio, do que ainda não se tinha noção, sem ficar ridículo ou catártico. Abre-se a guarda para olhares demorados nos próprios hábitos. A autocrítica se converte em humor; a compreensão, em cumplicidade. É uma distração para concentrar. Uma distração para dentro. Vive-se com mais clareza para contar e se narrar.
Amamos uma pessoa sem forma definida, no máximo uma voz muitas vezes alterada pelos aparelhos telefônicos, mas nada disso nos importa, pois amamos o que de mais belo a pessoa leva dentro de si que são seus sonhos, suas emoções e seus sentimentos.
Amamos o interior da pessoa, o seu modo de expressar, as suas felicidades e tristezas, seus desejos, suas alegrias e suas angústias. Amor virtual é conhecer primeiro a letra, para depois conhecer a voz. A letra é o quarto da voz.
Ah! coração que não comando
faz perguntas quer respostas
coração que se desmancha
de uma forma pura, total e concreta,
mesmo que no VIRTUAL.
Um beijo e um sorriso...

2 comentários:
Oh vida, oh céus...como odeio o "amor" e no dia dos namorados tudo fica mais nostalgico.rs
rs...
dia dos namorados
.....
e eu fico feliz da puta da vida da morte da cruel ... existencia da porra do marco antonio
... ufa! cruel
..
....
postei lá olha lá
... mas meu coração... eh sempre coração no dia dos namorados
....
vai tomar sorvete com a fer..
quem sabe isso passa!
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