A vida vivida intensamente...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

José - Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio
? e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Ouça esse poema recitado pela voz do autor... acesse memória viva



Bom... esse poema diz tudo... e agora José?? o que fazer?? pra que lado seguir?? pra quem recorrer???

sabe... ando meio perdida ultimamente... meu coração está tristinho... apertadinho...

quero apenas vida nova... sem maiores problemas!!


Um beijo e um sorriso...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Chega um dia...

"Chega um dia, sem mais nem menos... noite ou dia... primavera, verão, outono ou inverno... não importa o lugar, não tem um porque, não tem muita explicação... Numa festa, num corredor, numa escada, num show, numa praça, em outra praça, na calçada de casa...simplesmente a gente sente que algo diferente aconteceu, algo que muda tudo. Dá medo, dá receio, dá coragem, dá saudade, muitas saudades, dá sofrimento, dá alegria, dá ciúmes e põe ciúmes nisso... É amor, é paixão, é um querer mais que querer, é um desejo único, é ficar perdida, é não saber o que fazer mas querer fazer tudo, é um sentimento verdadeiro, enorme, eterno... Algumas coisas acontecem totalmente por acaso, e essas coisas podem transformar as nossas vidas, e essas coisas podem ser o melhor destino... Não sei bem o que fazer, o que dizer, mas eu sei muito bem o que eu sinto, e só eu sei muito bem quem sou eu e o que está dentro do meu coração. Chega um dia que a gente não entende mais nada e isso não faz tanta diferença de imediato, porque o que importa é que você sabe, que eu sei que eu amo você".

Esse texto veio bem a calhar... o momento é esse... as dúvidas me perseguem mas lá no fundo do meu coração uma certeza existe!!! e espero que esta certeza seja uma certeza boa!!!

Bom... é isso...

Um beijo e um sorriso...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Sobre estar sozinho - Flávio Gikovate

SAWABONA

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo está fadada a desaparecer neste início de século.
O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.
Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino.
A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: O outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras.
O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma.
É apenas um companheiro de viagem. O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa à aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um. O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável"
Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...

PS: Caso tenha ficado curioso em saber o significado de SAWABONA, é um cumprimento usado no sul da África e quer dizer "EU TE RESPEITO, EU TE VALORIZO, VOCÊ É IMPORTANTE PRA MIM."Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA, que é "ENTÃO, EU EXISTO PRA VOCÊ."

A Vida te trata como voce se trata!

Um beijo e um sorriso...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

Feliz Natal!!


Lembro-me que quando eu era criança, minha ansiedade nos dias que antecediam o Natal ia aumentando com cada presente que eu via marcado com a etiqueta "não abra antes do Natal"! Quando eu pensava que ninguém estava vendo eu me arrastava para debaixo da árvore, apertava chacoalhava os presentes, tentando adivinhar se o que estava envolto por aquele papel era o meu desejado presente. Então, na véspera de Natal, eu ia para a cama e sonhava com o que certamente encontraria na manhã seguinte, ao abrir os presentes. O presente que desejo partilhar com você nestes dias que culminam com o Natal traz inscrita uma observação bem diferente. Nele está escrito o seu nome. E diz: "Abrir em preparação para o Natal e para ser desfrutado durante o ano todo!" O verdadeiro Natal acontece de coração para coração.

Um feliz natal, cheio de presentes e surpresas boas... e um ano novo cheio de realizações e sucesso!!!

"Amo muito tudo isso!!"

Um beijo e um sorriso...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Um pouco de REALIDADE

Eu sempre fui uma pessoa muito realista, sabem? Não que isto renda alguns trocados, uma aposentadoria farta, férias em algum lugar paradisíaco ou a garantia de que eu serei sorteada pra participar do ?Todos contra um? do SBT... mas eu sempre fui, o que se chama comumente, uma pessoa ?pé no chão?.
Nunca tive a oportunidade de sonhar com o futuro, mesmo por que o futuro chegou pra mim antes do presente, e só me restou correr atrás da minha sombra, tentando alcançar o meu próprio rabo. Sou prática, é isso! Gosto de simplificar as coisas: sonho com o que posso adquirir, agradeço a Deus pelo que os meus braços alcançam, e me espicho pra tentar apalpar o que a realidade me pede. As vezes fica difícil resumir tudo, ser prática, sem muitas neuroses ou questionamentos. Realidade e objetividade, sempre paralelas.
Realidade: nada dura para sempre.
Em algum momento, em vários deles ou absolutamente sempre, as pessoas vão embora. Talvez essa seja a pior coisa do mundo. Ele vai embora, sempre. Objetividade: fazer valer a pena (Vocês devem ter assistido ?Titanic?. Eu também. Várias vezes. Essa é frase do Jack - Di Caprio, quando levanta a taça e propõe um brinde). Eu gostaria de saber quem foi que inventou o ?... e viveram felizes para sempre.? Melhor. Eu gostaria de entender por que tudo tem que durar para sempre.
Seus pais vivem num mar de rosas? Você casou com a sua primeira namorada? Sua orientadora de TCC ainda é mesma tia do primário? O óculos de sol ?genérico? que você comprou ano passado ainda não tem riscos? Seu tênis favorito continua lindo e cheiroso? Então por que esta obrigação de fazer tudo virar eterno, essa mania de querer ser Deus, ser infinito, eterno, se as pessoas sempre vão embora quando o parágrafo passa de três linhas.
As pessoas sempre vão embora.
Ele sempre vai embora quando eu peço um pouco mais de atenção, um pouco mais de tempo, ou qualquer outra coisa que não fosse a sua própria existência. Ele sempre vai embora quando eu peço pra ele descansar de ser ele o tempo todo, por que ele tem medo de não conseguir ser qualquer coisa que não dê dinheiro ou garanta o status que ele tanto busca. Ele sempre vai embora por quer prefere ouvir as expressões de sempre: "lindão", "bonitão", "como você tá bem na foto", das mesmas de sempre.
Eles sempre vão embora, sempre. Preferem cara de tédio e de busca pelo resto que não se repete ou não se prolonga. O outro foi embora a primeira vez porque estava cansado demais de tudo. Foi embora a segunda porque precisava mudar de cidade. Foi embora a terceira porque teve medo de ficar pra sempre. Foi embora a quarta e pôs a culpa em mim, que sou muito prática, muito realista e muito ?bem resolvida? (estamos falando da mesma pessoa?).
Aquele primeiro foi embora na espera de que existisse algo melhor do que eu. Achou. Daí esses dias apareceu e disse que ?não é fácil achar alguém melhor do que eu?. Eu dei risada. Eu? Como alguém pode ser tão medíocre ao ponto de dizer uma coisa dessas? E finalmente o último que foi, antes de ir me deu um abraço. E eu fiquei inerte, com uma vontade enorme de chorar, sem entender por que tanta coisa acaba do dia pra noite, e por que a gente não vive intensamente, ou como se cada segundo fosse o último.Vivo com essa sensação de abandono, de falta, de pouco, de metade. Mas nada disso é novidade. Antes dele, teve o outro, o outro... que continua indo embora pra sempre porque nunca foi embora de verdade (por que continua vivo aqui). Eu não sei deixar ninguém partir, eu não sei escolher, excluir, deletar. São as pessoas que resolvem me deixar, e não eu que as deixo. Eu nunca pedi demissão (apenas tentei negociar). Eu nunca mandei nenhuma empregada embora. Eles me deixam, vão embora, e quando não vão, deixam eu me distanciar e não me pedem pra voltar, assistem a tudo, inertes.
A minha mãe diz que a culpa é minha, eu que adoro não ser responsável por absolutamente nada, odeio o peso que uma despedida eterna causa em mim. Nada é eterno, essa é a realidade, não sei brincar de Deus.
Meu novo amigo brigou comigo e foi embora. Não sei se pra sempre, espero que não. Antes de ir, ele me disse muitas verdades. A primeira é que eu não dou atenção pra quem olha pra mim. A segunda é que eu só sei pensar grandiosamente, e isso me cega pras coisas simples. A terceira foi um conselho: ?você precisa às vezes ficar calada enquanto apenas existe?. Fazia tempo que alguém não ficava tão perdido só porque me encontrou, fazia tempo que eu não me olhava no espelho e sorria, sabendo que sim, sim, sim, sou bonita ora bolas! Sou interessante! Da onde eu tinha tirado o contrário nos últimos meses? Isso é realidade, e que se dane os sonhos, os ideais, aquilo que a gente espera e nunca alcança. Todo mundo chega na sua vida. Em algum momento, em vários deles ou definitivamente, as pessoas sempre chegam. Talvez essa seja a melhor coisa do mundo, e a gente não tem que acabar lembrando de alguém que um dia chegou e depois foi embora, que a gente acha que nunca mais vai esquecer.
Eu nem me lembro o que eu queria dizer ao certo, eu não sei terminar textos, eu não sei escrever, sempre misturo tudo... meu negócio é realidade, hoje, agora. Eu tento viver, entre erros e acertos. Eu tento misturar realidade, objetividade e fantasia, tudo a meu modo. Eu tento, tento... pra não acabar numa esquina qualquer, cheia de jóias velhas, lembranças, tristonha e perplexa.

Um beijo e um sorriso...

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

SAUDADES!!!

"Em alguma outra vida, devemos ter feito algo de muito grave, para sentirmos tanta saudade...
Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói, cólica, cárie e pedra no rim.

Mas o que mais dói é a saudade.

Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.

Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você pode ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam que estavam lá.
Você pode ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam onde estavam.
Você pode ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam que amanhã estariam juntos.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é basicamente não saber.

Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada, se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Skol, se ela continua preferindo suco, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertadinhos, se ele continua cantando tão bem, se ela continua adorando o Mc Donald´s, se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.

Saudade é não saber mesmo!

Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.

É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler..."
Miguel Falabella

Hoje senti muitas saudades de uma pessoinha...
principalmente depois de algumas conversas que andamos tendo... principalmente depois da reviravolta que minha vida está dando... principalmente em dias chuvosos como hoje... que dá vontade de ficar abraçadinho e esquecer da vida e dos problemas...

Espero que possamos aumentar o brilho dos nossos olhos!!!

Um beijo e um sorriso...

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

tantas coisas...

Tantas coisas meu coração queria gritar;
Tanto eu tenho a dizer...
No entanto, há um vazio na cadeira reservada a ELE.
Há um vão formado pelas palavras soltas ao vento.
Mil sílabas se formam dentro de mim,
Construo frases inteiras, mas não tenho os ouvidos DELE para me ouvir.
Nem aqueles olhos atentos às minhas histórias...

Há por aqui, nuvens nubladas pela ausência das gargalhadas alegres;
De dias quentes, regados a cerveja, beijos e humor.
Há por aqui, o vazio de músicas em comum, de pernas entrelaçadas.
De brincadeiras infantis e ciúmes de mentira;

Há aqui um furacão chamado saudade.
Que passa devastando meu cenário,
Mas deixa no ar o odor de dias felizes;
De noites de música e manhãs compartilhadas.
Há aqui, um EU recheado com o colorido das roupas DELE.
De risadas sufocadas e soluços.
De belezas reveladas e prazeres descobertos sem querer...
Existe em mim um tanto DELE;
E nem ELE sabe o quanto.


Como disse no outro post, respirar novos ares seria realmente muito bom... e acabou sendo melhor do que eu imaginava...

Agradeço pelas pessoas maravilhosas que me acompanharam nessa aventura na praia, e principalmente, pela PESSOA maravilhosa que tem me feito sorrir a cada novo e-mail, a cada mensagem no celular...

A você, pessoinha, OBRIGADA!!
Hoje o dia amanheceu iluminado... assim como todos os outros dias dessa semana!!

Um beijo e um sorriso...

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

não sei + nada!!!

Não sei o quanto de ti há ainda em mim;
Nem a quantidade de mim que há em ti.
Não há mais saladas, nem ferozes desafios.
Não há mais risadas, nem embates.
Não há rios correndo em nós, nem sóis escaldantes.
Não há alegrias, nem tristezas...
Há apenas igarapés levando as lembranças para um reino distante,
Onde fortificamos nosso castelo.
Onde, depois de tanto lutar para o erguer, o deixamos à mercê do tempo e do vento.

É...
Já não sei o quanto de mim te deseja;
Nem o quanto te espera.
Não sei mais atrasar o relógio, nem fingir que não há distâncias..
Não há cheiro de mato fresco, nem cachoeiras para nos molhar a alma...
Não há planos em comum, nem mácula.
Há somente um não-saber o quanto de ti resta em mim;
E a quantidade de mim que há em ti...


mas isso tbm não importa mais agora... porque estou prestes a ir respirar novos ares... e conhecer novas pessoas...
o InterFatec veio em ótima hora...
Será a melhor viagem da minha vida... com as pessoas que eu amo tanto!!!

Esquecer dos problemas... relembrar velhos tempos... e curtir uma praia... um reggae... e meus amigos!!

ah... sem contar que vou comemorar meu niver em grande estilo né!! eheheh

apertem o cinto e tenham todos uma boa viagem!!!

um beijo e um sorriso...

terça-feira, 1 de novembro de 2005

Amor X Sexo - Por: Isabel Vasconcellos

A Revista Marie Claire publicou, em seu último número, o resultado de uma pesquisa realizada entre 2330 leitoras da revista, sobre sexo.

Um das questões teve um resultado surpreendente: 49% das entrevistadas disseram que fazem sexo mesmo sem estar apaixonadas. Há porém que se considerar que as leitoras de Marie Claire entrevistadas são da região sudeste, a maioria pertencente a classe AB e de alto grau de escolaridade.

O resultado dessa questão seria bem diferente, creio eu, se a pesquisa fosse realizada com outros tipos de brasileiras.

Atrelar o sexo ao amor é um erro histórico das mulheres. Homens jamais precisaram da desculpa do amor para admitir e concretizar uma relação sexual. Mas as mulheres frequentemente precisam.

Independentemente das convicções morais ou religiosas, que, é claro, devem ser respeitadas, as conseqüências dessa idéia feminina de que o sexo só é válido quando existe também o amor, costumam ser desastrosas.

À primeira vista poder-se-ia julgar que as mulheres que não estão amando não fazem sexo e pronto. Mas não é bem isso que acontece.

Apesar de carregarmos ainda em nossos inconscientes milênios de repressão sexual, o instinto fala bem alto e o desejo existe. Porém, como fomos condicionadas a fazer sexo apenas com o homem amado, o que ocorre é que não conseguimos distinguir a simples atração sexual do estar apaixonada. O que se vê, então, é a mulher julgando amar a todo e qualquer homem que exerça sobre ela uma forte atração sexual. Basta se sentir atraída e a confusão se estabelece. Mulheres, dificilmente, conseguem admitir que um homem apenas as atrai, elas já vão logo se dizendo ?apaixonadas? quando, de fato, estão apenas atraídas.

Para os homens essa confusão jamais existe. Eles sabem bem o que querem de uma mulher. Se é apenas sexo, para eles, é apenas sexo e pronto. Por isso, depois de uma noite de amor, eles não têm aquela preemente necessidade de telefonar no dia seguinte.

Muito sofrimento feminino poderia ser evitado se nós, mulheres, conseguíssemos separar as duas coisas. Admitir que fulano ou beltrano simplesmente nos atrai e que queremos fazer sexo, só isso. Mas não. Vamos logo envolvendo o coitado do objeto da nossa atração em nossas fantasias românticas. Quase sempre quebramos a cara.

É claro que um caso que começa com atração sexual pode evoluir para algo mais profundo, pode vir o carinho, o afeto e até o amor. Mas não é isso que acontece na maioria das vezes.

Como escapar dessa armadilha cultural? Como perceber que aquele homem que nos atrai apenas nos atrai? Um bom artifício é imaginar uma vida cotidiana com ele. Será que gostaríamos de compartilhar o nosso dia a dia com esse homem? Será que ele é o homem certo para dividir a difícil tarefa da convivência diária? Nossas idéias batem? Nós realmente apreciamos a maneira dele ser, de se comportar, de pensar? Seria ele um bom pai para o nosso filho? Gostaríamos de acordar, todos os dias, ao lado dele?

Caso as suas respostas a estas perguntas sejam negativas, talvez então você esteja apenas atraída sexualmente por ele e não realmente apaixonada.

Mas, mesmo assim, para isso funcionar, é preciso que admitamos que estamos sim inclinadas a nos apaixonar pelo primeiro babaca que mostrar interesse por nós, que ainda trazemos, dentro das nossas almas, os mitos da cinderela e do príncipe encantado; que somos preconceituosamente românticas, porque fomos reprimidas, porque fomos educadas pela sociedade para acreditar que não somos grande coisa se não tivermos um homem ao nosso lado. E isso é apenas mentira.

Um beijo e um sorriso...

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

e-mail para...

Hoje eu acordei com aquele seco na garganta. De novo. Vire e mexe isso volta e, quando não volta num dia frio, vem num dia quente e lindo, como hoje. Mesmo se estou feliz, o seco vem avisar que felicidade é um yakult, que vai acabar antes do fim do gole. Nessa hora não adianta rolar na cama, o melhor que eu tenho a fazer é levantar logo de uma vez. Chorar melhora sempre, mas chorar me deixa numa melancolia que atrai várias lembranças tristes, e eu cansei de chorar por tudo o que faz tanto sentido pra mim, mas que se eu sentar pra te explicar em detalhes, vou parecer louca... e sabe, estou meio com preguiça de sempre parecer louca, prefiro fazer cara de bem resolvida.

Sábado eu estava numa casa e todo mundo ria, bebia e relembrava muitas coisas. Eu passei mais da metade da noite olhando fixamente pra um vaso de flores e me perguntando o que ele fazia na fruteira se ele não era fruta. Ontem mesmo, em meio àquele trânsito caótico eu fiquei olhando pras placas dos veículos e fazendo combinações matemáticas. Eu fico meio com síndrome do TOC quando estou assim pirada, e a confusão do mundo me incomoda tanto que eu queria passar meses lavando as minhas roupas, e fazendo listas de tudo o que eu preciso melhorar. De preferência, com luvas.

Enjoei do restaurante que eu almoçava, coisa que herdei da infância, quando eu não gostava dos lanchinhos da cantina e era a única garotinha a levar lancheira. Eu carregava a minha esquisitice pelo pátio e desde cedo aprendi que ser a gente mesmo tem seu peso, principalmente quando sentimos a necessidade de realmente ser.

Às vezes acho que ter uma casa cheia de paredes e almofadas coloridas, objetos estranhos com valor sentimental, CDs com músicas preferidas-misturadas resolveria meu problema, me encheria do meu mundo a ponto de eu parar de sentir tanta falta de outras coisas e outras pessoas. Talvez se minha casa fosse sempre cheia de pessoas (amigos) acabaria ocm o meu terrível medo de ficar sozinha...

Eu perdi o deslumbramento (num sei se exatamente essa palavra) com o amor, com o trabalho e com a beleza. Eu descobri que o amor escolhe as pessoas, emprego não é diversão e belezas são relativas. E daí eu me pergunto: o que exatamente seria uma vida extraordinária? Nas poucas vezes em que senti algo realmente extraordinário, eu estava brincando de não ser eu, estava fazendo algo errado, ou estava vivendo algo que acabaria rápido e que jamais seria contaminado pelo tédio. Viver extraordinariamente é isso então? É estar fora da nossa própria vida? É viver pouco várias coisas? É viver muito poucas coisas? É ser um personagem de um roteiro que a gente muda toda hora?

Eu sei, eu sei, o mundo tá cheio de gente desabrigada, sem teto, doente, sofrida e morrendo de fome. Tá cheio de guerras, explosões, corrupções e desastres. E eu sou fútil com a minha tristeza sem desgraças. Mas não seria ainda mais fútil e desgraçado eu ser feliz nesse mundo? Sei lá, é só mais um e-mail bobo, se a gente tivesse nascido em outro tempo, seria uma carta boba que eu nunca teria coragem de enviar e que seria descoberta pelos meus netos escondida num baú.

Pois é, o mundo vai se modernizando e a gente continua com essa angústia pré-histórica aqui no peito e na garganta.


Mas o bom é que isso passa... apesar de tudo...
Aprendi isso com aquela pessoa sábia do outro post... e os ensinamentos dele insistem em ficar martelando na minha cabeça...

mas deixa pra lá!!

Um beijo e um sorriso...

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

SOBRA...

Sobra algo em mim.
Coisas dadas a você, concebidas para ti.
Sobra o amor nascido meio às avessas;
Aos nossos descompromissos com o mundo lá fora.
Sobram os desejos que me escorrem pelos cantos da boca;
Dos nossos corpos unidos pelo carinho.
A alegria trazida na bagagem.

Sobra tudo aqui dentro.
Tudo o que vivemos.
As vontades de ir ao teu encontro,
De rir de nossos risos,
De beijar nossos beijos,
De grudar minhas mãos nas tuas e destilar os mesmos momentos.
Sobra em meu nariz o odor adocicado da tua pele, do teu perfume.

Sobra..
A necessidade de ver teus pés andarem pela casa;
Do costume de fazermos a comida juntos,
Partilhar a mesma música, o mesmo ritual.
Das minhas reclamações e dos teus agradecimentos...

Tudo sobra...
Menos o meu amor por ti.

Um beijo e um sorriso...

terça-feira, 18 de outubro de 2005

O tempo...

Cazuza já cantou: O TEMPO NÃO PÁRA!!!

O tempo passa, e como passa rápido, deixa marcas, lembranças, alegrias, nostalgia...
O tempo passa e com ele algumas pessoas...
O tempo é responsável pela minha felicidade hoje... da mesma forma que a tristeza que carrego em meu peito também provém desse maldito tempo... tempo que escorre pelos dedos quando quero que ele páre... tempo que pára, quando eu gostaria que ele voasse...

Hoje, mais do que nunca, sei a importância do tempo... que insiste em passar...

O fim de semana me ensinou a importância do momento presente... e a não importância do momento que está por vir... e por mais que eu já estivesse cansada de saber que o que está por vir pode não chegar, só agora eu consegui entender isso na prática...


Hoje eu sou uma pessoa mais sábia, porque pude aprender muito com exemplos vivenciados por uma pessoa querida... sou mais sábia porque resolvi não pensar no tempo e deixar que as coisas acontecessem naturalmente...
e porque consegui entender que tudo o que me acontece agora é, de certa forma, pro meu bem... mesmo que eu vá perceber esse bem só mais pra frente na minha vida...

Aprendi que meu caminho está sujeto a curvas inesperadas... e que essas curvas não dependem de mim... sei que esse final de semana meu caminho fez uma curva... e se eu não tivesse conhecido aquela pessoa, se eu não tivesse aceitado aquele convite, meu caminho ainda estaria como antes... e eu não seria tão sábia, por não ter convivido momentos inesquecíveis ao lado de uma pessoa tão sábia...

mas o tempo não parou no final de semana...
e o tempo não vai parar no decorrer dos dias...

e isso vai nos levar por caminhos dististos, sem não deixar de lado a lembrança daquele tempo bom que passamos juntos ensinando um ao outro!!!

Hoje posso dizer com toda convicção que superei o tempo em que eu acreditava em contos de fadas... e que o tempo que eu passei com aquela pessoa incrível, eu pude aprender que o melhor de toda tristeza é que ela é passageira!!!

Viva o tempo... porque tempos melhores sempre estão por vir!!!

Um beijo e um sorriso...

quinta-feira, 13 de outubro de 2005

Dia das crianças


Ontem fomos passar um dia das crianças diferente... deixamos de lado as preocupações que hoje nos circundam, deixamos de lado as coisas de adultos e voltamos a ser crianças no Termas de Pitangueiras...
Aos amigos que estavam comigo... nada a declarar a não ser que eles fizeram toda a diferença nesse dia!!! Adoro vocês, meus amigos!!
E quando quiserem voltar a ser crianças novamente, não exitem em me chamar... vou adorar o convite!!


"E uma mulher que acalentava um bebê disse,
- Fale-nos de Crianças...
E ele disse:
- Tuas crianças não são tuas crianças.
Elas são os filhos da Vida que anseia por si.
Elas vieram através de ti mas não de ti,
E a despeito de estarem contigo elas não te pertencem.
Tu podes dar-lhes teu amor mas não teus pensamentos,
Pois elas têm seus próprios pensamentos.
Tu podes hospedar seus corpos mas não sua almas,
Pois suas almas habitam a casa do amanhã,
que tu não podes visitar, mesmo em teus sonhos.
Tu podes empenhar-te para seres como elas, mas não tentes
fazê-las serem como tu,
Pois a vida não caminha para trás nem coabita com o Ontem.
Tu és o arco do qual tuas crianças,
como flechas vivas, são impulsionadas.
Arqueiro vede a marca sobre a trajetória do Infinito,
a Ele te dobra com Seu Poder para que tuas flechas
sigam velozes e para longe.
Deixes que a flexão na mão do arqueiro seja para o
contentamento e a felicidade;
Pois assim como Ele ama a flecha que voa,
Ele ama também o arco que seja firme"

Gibran Khalil Gibran - O Profeta - 1923

Um beijo e um sorriso...

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Distâncias

A distância que me separa do que quero é muito maior do que minha capacidade de avaliá-la. Por isso mesmo não persigo, não sonho, não penso. Espero, apenas, que aquilo que quero me chegue de uma forma que eu nem perceba, de tal modo que me tome sem advertência e me deixe sem outra ação senão aceitar, por mais que eu, no íntimo a deseje e mesmo que, mentirosamente, a negue. Assim, tudo se justifica mais facilmente, tudo se encaixa, sem que eu tenha de explicar nada, principalmente a mim mesma.

Não que o que eu queira seja permanente, uma vez que a vida é feita de pequenos quereres, de durações variáveis, medidas por vontades, desejos, coisas de emoção e, como tal, fora de parâmetros racionais ou físicos.

A distância que me une ao que eu preciso é mínima e facilmente percorrida, apenas para perceber, ao final, que o destino mudou ligeiramente de lugar e outra pequena distância me espera. Nada complicado, nada difícil, só que insatisfatório, pro cotidiano, mesmo que se mostre fundamental, apesar de ser mais que suficiente.

A distância entre mim e o que necessito não existe, desde que me despoje de tudo que quero e despreze o que eu preciso, o que faria, talvez, com que eu me perdesse de mim mesma, preço pequeno, quem sabe, para uma tal de paz interior que, em muitos casos, representa uma aceitação passiva, senão uma espécie de satisfação negociada comigo mesma, quase uma trapaça.

A distância que me separa dos outros é inversamente proporcional ao interesse mútuo e à busca por algo que não seja, simplesmente, estar perto. É uma distância assimétrica, diferente nas duas direções e que tende a se tornar mais irregular e inviável, quanto mais emoção for usada como unidade de medida, deformando percepções, impondo perspectivas, acionando sentidos. Tende a ser intransponível.

A distância que me isola de mim mesma é fluida, irregular, variável. Umas vezes me perco para, em outro momento, me descobrir mais forte e bem próxima daquilo que penso de mim. Em muitas outras vezes me sinto próxima de um ideal que eu criei para, em segundos, perceber que era miragem, que ideais não são idéias. E me vejo ao longe, tentando discernir em mim algo que não sinto, mas que está lá.

As distâncias entre o que quero, o que preciso e o que necessito são mínimas, pontuais até, e pouco me dividem no tempo, no espaço, no estar, na simplicidade de apenas ser. São, entretanto, enormes, abissais, no sentir.


Billy... quem é vivo sempre aparece né!!!
por que não tem mais um blog?!! adorava as coisas que você escrevia...
só respondendo suas perguntas, Novo Horizonte é a cidade onde eu moro (minha família), eu estudava em Taquaritinga (na Fatec) e agora estou morando em Jaboticabal, estagiando na Unesp. Fiquei muito feliz em saber que você ainda se lembra de mim!! eheheh e quem sabe a gente ainda se tromba pelos ônibus da vida... afinal continuamos pegando a mesma linha né!!! ehehhe

Frog... já linkei seu novo blog aki, ok!!!
obrigada por ter se lembrado de mim tbm!!

Gonzo... seja bem vindo ao mundo dos Blogs... ele é mágico!! hehehe

Free e Cássia... gosto muito de vocês... muito obrigada pelos comentários deixados pra mim!!! Sorte pra vocês, ok!!!

E a todos os outros leitores, obrigada pelo carinho!! vocês são muitíssimos importantes pra mim!!

Um beijo e um sorriso...

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

Pequena Verdade - para Biel!!

Nunca é cedo o bastante
Quando é tarde demais
Por mais pueril que seja a madrugada
É noite eterna quando já se foi

E a volta nunca volta

Há tempo para se fazer outra vez
Possível repetir mesmos erros
Tentar de diversificada forma
Mas acertar é sempre inédito

A eficácia elimina a mesmice

Desrotinifica atitudes simples
Torna cada gesto único
Potencializa qualquer atitude
Requerendo atenção imensa

Desastres nascem instantaneamente

Aquela palavra ríspida
O gesto não meditado
A falta de tato
O excesso de sensibilidade

Atrocidades são sempre banais aos que praticam

Reverter certos atos é impossível
Conseguimos apenas reduzir o impacto
A bofetada já foi dada, porém
Não será esquecida

Retirar a culpa não elimina o verbo

Engraçado pensar assim
Mas só sabemos o doer
No exato momento em que o sentimos
Não dói no físico quando recordamos

Lembrar sim, traz sentimentos

Transporta-nos a um estado vivido
Remonta certa particularização de nosso real
Emergindo angústias
Nó no peito que quem lembra sabe:

Dói só de lembrar

Quando for errar
Seja completamente ignorante
Faça-o por puro desconhecimento
Tenha o que aprender com sua atitude

Não espezinhe quem você gosta

Agir por pura picardia é idiotice
Não existe vitória
Na derrota daquele
Que devia ser resguardado

Da nossa cruel capacidade de fazer sofrer

Atinja com sua ira
Apenas seus reais inimigos
Que felizmente existem
Sinceros como nuvens carregadas

Que por vezes relampejam e trovejam

Exclua seu amor de sua mira
Afine sua pontaria
Preserve a incolumidade e a paz
De quem optou por estar ao seu lado

Sujeito às suas intempéries

Saber da disposição alheia
Não é sinônimo de usurpação
Acreditar que pode acontecer
Não é convite ao merecimento

Antes de urrar silencie

Olhe a sua volta
Perceba se os que te circundam entenderão
Meça se valerá a pena discursar aos surdos
Ao perceber que estão vocês sozinhos

Abrace-a, para não ferir-lhe os ouvidos

Conduza seu calor no prazer do aconchego
Respire quente no interior do corpo dela
Acaricie aquele rosto magnífico
E após respirar levemente

Agradeça sem ter um aparente por que

Lembre-se que é bom fazer bem
Que na vida escolhemos alguém
Por quem vale a pena receber e dar
Uma vida que nos ensina constante

Não ser preciso sofrer para amar


Um beijo e um sorriso...

terça-feira, 27 de setembro de 2005

A escada

À minha frente mil degraus de uma escada.

Faço-me passo e cada passo me retém.

Em marcha fúnebre o compasso da passada.

Eu cabisbaixa a escada e mais ninguém.

Um corrimão quer me guiar na caminhada,

sem que me diga aonde vai, de onde vem.

A minha mão soergo a custo e pego o nada.

E como sempre a mão no nada me sustém.

"Urge seguir" sugere longe voz calada.

E um novo passo o corpo lasso leva além.

A meio-termo mais distante é-me a chegada:

passo no tempo, mas do instante sou refém.

E toda escada é sempre assim: rosa e espinho.

Fere e perfuma, enquanto diz qual o caminho.


Um beijo e um sorriso...

terça-feira, 20 de setembro de 2005

Confusa...

Minha cabeça não para....milhões de pensamentos passando como um furacão. Dúvidas, anseios, receios, algumas vezes tristezas, outras solidão...

Pensamentos positivos também transitam por minha cabeça confusa.... tantos sonhos, tantos desejos!!!

Vivo no meio de um turbilhão de sentimentos, que me consomem, me confundem, me sufocam... Por vezes esse mesmo turbilhão me alegra, me fascina, me alucina.

Menina-mulher, que anda se perdendo no meio de tantos pensamentos. Alguém me ensina como parar tudo e não pensar em nada de vez enquanto.

Menina-mulher, que já aprendeu que nem tudo são flores...

Menina que continua a sonhar.

Mulher que corre atrás dos seus sonhos....

Mas uma coisa é certa pensar tanto ando me consumindo, pois como minha imaginação é fértil, como sou criativa, até me assusto....

As vezes eu só queria mesmo é ficar quietinha e não pensar em nada...

Um beijo e um sorriso...

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Divagações...

"O quanto eu te falei que isso vai mudar.
Motivo eu nunca dei.
Você me avisar, me ensinar, falar do que foi pra você,
não vai me livrar de viver...
Quem é mais sentimental que eu?!?!
Eu disse e nem assim se pôde evitar..."
Sentimental (Los Hermanos)
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CACOS

Pedaços e estilhaços
Largados e jogados por toda parte
Seu rosto na lembrança
Nas roupas, seu perfume
Na garganta, o gosto amargo do adeus
Lembranças do que não foi vivido, nem realizado
Planos engavetados, sonhos apagados
E uma raiva que insiste em permancer
Raiva de mim, que não soube gritar
Raiva de ti, que não ouviste meu silêncio
Agora, o nada
O nada que a falta de sua presença me trás
O nada que me invade ao tentar respirar
Pedaços
Estilhaços
E mais nada...
Leandro Faria Chaves, 15/08/2005
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-O que você queria me falar?
-Ah, nada... Esquece. Besteira.
-Você é mais solto na net, né? Na minha frente você trava, não tem coragem de desabafar.
-Pois é. É muito mais simples dizer as coisas olhando pro monitor do que olhando nos olhos.
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-Por quê eu sinto tanto ciúme dele se é apenas meu amigo?
-Mas ele é só seu amigo?
-Sim, já definimos isso... A situação é muito estranha e complicada pra ser mais do que isso.
-Então, por quê sente tanto ciúme dele?
-Essa foi a pergunta que eu te fiz.
-Eu sei... E, como eu, acho que só você sabe a resposta.
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-Te amo, te amo, te amo!
-Ama mesmo? E a overdose?
-Passou! Era só quando eu te via todos os dias. No momento em que você entrou no ônibus, antes mesmo de ir embora, uma saudade dilacerante me tomou.
-Entendo exatamente o que quer dizer.
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"...O medo de perder o que se ama faz com que avaliemos melhor muitas coisas. Assim como a doença nos leva a apreciar o que antes achávamos banal e desimportante, diante de uma dor pessoal compreendemos o valor de afetos e interesses que até então pareciam apenas naturais: nós os merecíamos, só isso. Eram parte de nós./ O amor nos tira o sono, nos tira do sério, tira o tapete debaixo dos nossos pés, faz com que nos defrontemos com medos e fraquezas aparentemente superados, mas também com insuspeitada audácia e generosidade. E como habitualmente tem um fim - que é dor - complica a vida. Por outro lado, é um maravilhoso ladrão da nossa arrogância./ Quem nos quiser amar agora terá de vir com calma, terá de vir com jeito. Somos um território mais difícil de invadir, porque levantamos muros, inseguros de nossas forças disfarçamos a fragilidade com altas torres e ares imponentes./ A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura./ Às vezes é preciso recolher-se". Lya Luft
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"São os falsos mitos da juventude para sempre. E isso também inclui a febre atual da mídia, particularmente nas revistas femininas. Só se fala como se pode ter vários orgasmos numa única noite. Só se fala em como a mulher deve agir para segurar seu homem pelo sexo, especialmente o oral. São fórmulas de um mundo conturbado, que foge ao afeto, distante de qualquer felicidade. Essa é outra coisa para o enlouquecimento. Em todo lugar, o que existe é a supervalorização do sexo. Quem não estiver fazendo sexo sem parar o tempo todo passa a ser anormal. Muita gente fica complexada porque não consegue vários orgasmos numa noite. É tudo uma imposição". Lya Luft
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"Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem." Lya Luft

Encontrei alguém que me entende!! eheheh tôa dorando essa Lya Luft!! ehhehe

Um beijo e um sorriso...

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Desvio

Por vezes preciso de uma música triste
Que revele meu estado de espírito
Que traga a tona aquela dor que faz tanta falta
Depurando a vontade que se esconde

Sob as vestes da comodidade incômoda

Que incomoda pela mesmice
Que deturpa pela babaquice
De se achar que ter pena de nós próprios
É atalho para sermos salvos de nós mesmos

Grandiosa putaria que fazemos

Prostituindo nossa imaculada felicidade
Em troca de momentos vis e toscos
Personificados em corpos sujos
Que nos invadem com aqueles toques assépticos

Prefiro mãos impregnadas de desejo, de verdade

Quero o suor do esforço
Daquele que lutou para me conquistar
Quero o cheiro de corpo cansado
O gosto do gozo alcançado

A exaustão maravilhosa dos que se apaixonam

Meretriz de alto nível a auto piedade
Chega travestida em mansidão
Cheirando a paraíso
Quente e úmida como o inferno

Assando a pele e queimando o juízo

Envolve como o exímio dançarino
Que ao levantar seu peso do solo
Carrega você para nuvens
Deixando-nos a mercê de exterior desejo

Trocando obscenamente nossa liberdade

Por vontades podres
Usa um corpo que não é dele como quer
Posicionado como dono da situação, pois
Sinalizando para um fim antecipado

Que nós mesmos procuramos

Quando desistimos de tomar a vida sob controle
Achando que o mundo seria bom e gentil
Esquecendo que ele compete conosco
Que quer se sobrepor a nossa existência

Imperioso ser forte pra caralho

Foda-se se não te acompanharam
Se a velocidade do seu cruzeiro é demais para os demais
Se o espaço que você ocupa é imensidão
Se seu jeito não é tão dócil

Se de suposições vivem os que te rodeiam

Só não pare de continuar por causa disso
Lute com toda força e inteligência
Detone cada fraco pensamento que lhe sobrevier
Aniquile qualquer pedido de piedade interior

Algoz é aquele que nos dá chance

Ficamos preguiçosos, ridículos: odiosos
Tornamo-nos lesmas que rastejam
Quando sabemos voar e caçar
Deixamos o rastro inocente das presas

Quando deveríamos terminantemente predar

Sejamos justos quando derrotados
Que choremos, que odiemos
Mas com total franqueza
Pois fraqueza é esconder-se do inevitável

Passividade é medo em forma bruta, inerte, ilesa

Lapide este sentimento esfuziante
Que prepara o corpo para a fuga
Prevendo o perigo onde não se enxerga
Pondo fim ao que nem começa

Use-se a seu favor

Encare a morte com sua sorte
Esbraveje, lute, sofra
Mire seu inimigo e corra
Diretamente de encontro a ele

Faça desta encruzilhada uma enorme trombada

Ruidosa, enorme, ruinosa
Alguém ira perder neste embate
Se for você melhor: aprenda
Se for alguém, sem dó: ensine

Nunca tome atitudes desmotivadas

Pare de desperdiçar tempo
Com coisas que você nem sabe se quer
Ele não se mede pelo que se usou
Mas justamente pelo que não mais se tem

Seu faltar é medida de seu desperdício

Seja urgente, direto e preciso
Forte, inteligente e conciso
Mire a alma das coisas
Pois ao alcançá-la

O corpo já terá sucumbido

Trace sua meta com calma
Pense em seus movimentos
Sossegado, tranqüilo
Siga sua rota firmemente

Só permita a você ser seu desvio

Um beijo e um sorriso...

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

As reticências e o ponto final

Eu quero ser uma tarde gris
Quero que a chuva corra sobre o rio
O rio que por ruas corre em mim
As águas que me querem levar tão longe


Ana Carolina in Uma louca tempestade


Há pessoas que são pesadas. Mas não parecem. Levamos um grande tempo para perceber que nossos ombros estão curvados por carregá-las. O mesmo tempo que levamos para descobrir que fomos mais um elo em sua corrente de histórias mal resolvidas. Correntes que as fazem arrastar os pés pela vida afora.
Então nos perguntamos como foi possível vermos sensibilidade onde havia apenas fragilidade; encanto poético onde havia apenas inconsciente egoísmo; amor pela vida onde havia apenas medo de viver. Como foi possível deitarmos em reticências e servir-lhes de muleta por tanto tempo, tornando-nos também reticentes e medrosos.
Quando esta percepção se faz clara, é hora do ponto final. Este sinalzinho gráfico que encerra uma idéia, um texto, uma crença, uma esperança, um sonho, uma obsessão. Ele é cru, decisivo e cruel. Mas imbuído de uma sinceridade única. O ponto final não engana, não cria falsas esperanças, não abre espaços para a dúvida, não gera vãs expectativas.
Ele se contrapõe claramente às reticências, esta tríade inconclusiva que por vezes engana, pela sua natureza irresponsável e inconseqüente. Embora nem sempre saibamos definir a natureza política de cada um dos pontos das reticências, sabemos com clareza a covardia que eles escondem em situações como esta. As pessoas reticentes são covardes por apatia, por insegurança, por resignação. Têm dificuldades para usar o ponto final, tendendo sempre a acrescentar a ele mais dois pontos. Por medo da responsabilidade do ato individual e solitário. Pela falta de coragem para assumir a responsabilidade de levar a vida e não apenas deixar que a vida as leve.
Por vezes, nos vemos tão envolvidos nas reticências de algumas pessoas que perdemos de vista o ponto final. Esquecemo-nos que, para voar, as forças precisam se equilibrar, o peso precisa ser dividido e o rumo traçado em sintonia de corpos e almas.
Mas é sempre hora de alijar dois pontos destas reticências, olhar o infinito e experimentar novas asas. Ainda que o vôo inicial seja doído e solitário. Porque o ponto final é também o ponto de partida. Para um novo texto, para um novo vôo, para uma nova vida.

Um beijo e um sorriso...