UM POUCO DE TUDO
Ando um pouco de tudo. Um pouco chateada, um pouco revoltada, e sobretudo, um pouco cansada (ta aí um dos motivos pelos quais tenho escrito tão pouco ultimamente). Depressão não sei se é. É uma necessidade (um pouco estranha) de ficar na minha, só observando um pouco de tudo. Fato é que esta análise fez com que eu me sentisse ainda mais cansada. É complicado (eu queria usar uma outra palavra, mas como aceitei o termo de ?censura? à palavras obscenas, vai esta mesmo)! Cansei simplesmente. Cansei de ver caras, bocas e tipos, dá até enjôo. E não é só dos outros, cansei de muita coisa em mim também. Cansei da minha rotina. Cansei de ter que ficar viajando, fazendo mala, fazendo baldeação nas rodoviárias desse mundão a fora! Cansei de me arrumar ?pra viagem? (não que eu não esteja nem aí e ande desleixadona, nem pensar, mas ficar me produzindo feito bonequinha de porcelana, já era faz tempo). Ver tanta produção nos outros também tem me causado ânsia. Isto não nos faz parecer com peças de um açougue (quem pode negar que vez ou outra nos portamos como tal?)? Pendurados. À mostra. Expostos como objetos em busca de um freguês. Nos faz parecer justamente com o que eu fujo de ser o tempo todo; um pedaço de carne (e todos sabemos qual o destino da carne ingerida). Eu sei, você deve estar pensando que tudo isso é besteira, e é mesmo, é tudo fruto da besteira na qual eu acredito: o conteúdo (é que ainda sou tolinha o bastante pra acreditar nessa baboseira de conteúdo. Fazer o quê?) Pois é, carnes oscilantes, xavequinhos vazios-manjados-decorados e bíceps bem definidos não me atraem. Peitos e bundas empinadas não movem um músculo do meu corpo (mas se você é homem, eu compreendo se isso mover um músculo em especial). Devo ter nascido com alguns neurônios a menos, ou então eles foram naturalmente expelidos pelo meu organismo, pois não consigo sacar a amplitude e o gozo que muitos vêem em viver indo, apenas indo, sem perceber o que fica, o que está à sua volta, o que preenche as pessoas.
Sabe, eu juro que me esforço pra não ser monotemática. Gosto de dialogar, adoro conhecer gente pra poder fazer parte da vida delas, mas andei observando e concluí que é difícil, por isso eu só sei monologar narcisicamente sobre o quão grandioso é meu mundinho, o quão frustrante tem sido acreditar na humanidade e o quão chata eu tenho me tornado a cada dia. É, tenho problemas sérios - como você pode notar - mas o mais sério deles é pensar demais. ?Pensar nos lança ao inferno do questionamento? (eu não sei quem disse isso, mas é uma grande verdade). É péssimo não ser passiva, é péssimo não ser conformada, e é péssimo procurar por respostas quando ninguém está preocupado nem com as perguntas.
Se perdi a fé na humanidade e virei uma amargurada aos 20 anos? Não, não é nada disso, isso não é papel que me sirva pra interpretar na vida. Também não vou abandonar a cidade e me tornar uma eremita, prefiro mudar o que consigo tocar em vez de sair correndo de medo(se bem que muitas vezes minha vontade é essa!!!). É pouco, mas é o que posso fazer. Parece, mas esse não é um discurso moralista, é somente uma dúvida sobre um pouco de tudo: onde estarão as pessoas do mundo? Porque fantoches articulados e ocos, finalizados com silicone, eu vejo passando todos os dias, nas baladas, e nas festas, mas gente, daquelas que choram, riem, têm medo de não ser feliz e olham pra você (e não por você), eu não encontro assim tão fácil. Mas esquece, não me leve tão a sério. Isso é só um pouco de tudo. E um pouco de tudo é quase nada.
Apenas as tuas letras

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