A vida vivida intensamente...

terça-feira, 3 de abril de 2007

Lâmina...


e quando menos se espera, acontece uma outra vez. palavras. promessas. tapete vermelho, estendido por metros, tornando o chão macio. sem obstáculos. maquiando a terra, imunda, que existe por baixo dos sapatos. sempre assim. de repente. quando menos se espera, o caminho, que parecia levar para um lado, oferece outro fim. morro por isso. mais uma vez. por acreditar no que havia me garantido. mentiras entre sorrisos. morro mais uma vez por não imaginar que suas mãos me traziam até aqui. guilhotina. cabeça apoiada, mãos acorrentadas, morro mais uma vez com a queda repentina desta lâmina. golpe que me divide em duas metades...
porque, há muito, eu erro a mão. a dose. esqueço a receita do equilíbrio. o quanto uso das partes que brigam dentro de mim. há muito, eu me confundo. porque metade não tem medo e levanta os braços, na descida da montanha-russa. olhos abertos, enquanto outra acha melhor enfrentar a queda com as mãos na barra. segurando forte. espremendo os dois olhos, fechados, desde o começo do percurso. metade prefere brincar na beira da praia. no raso. enquanto outra não vê problemas em pular dezenas de ondas e nadar onde a pequena bandeira vermelha, agitada pelo vento, avisa sobre o risco. sobre o possível afogamento. porque, há muito, eu erro a receita do equilíbrio. uso a parte que não deveria na hora em que não poderia. me confundo com as metades que brigam dentro de mim. porque parte acelera na estrada, no momento da curva fechada. pé direito até o fim, enquanto outra freia, bruscamente, ao ver a primeira placa. seta torta, avisando sobre o perigo. metade não suporta a burrice, a pequenez, a lerdeza. outra, sempre calada, tolera a banalidade. engole a ignorância. convive com a mediocridade. há muito, eu erro a mão. a dose. me confundo com o que devo usar. porque metade briga. explode. dedo apontado na cara, enquanto outra se recolhe, quieta, debaixo da cama. no quarto fechado. no tudo escuro. metade berra. outra sussurra. tenho uma parte que acredita em finais felizes. em beijo antes dos créditos, enquanto outra acha que só se ama errado. tenho uma metade que mente, trai, engana. outra que só conhece a verdade. uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés. outra que sobrevive sozinha. metade auto-suficiente. mas, há muito, eu erro a mão. a dose. esqueço a receita do equilíbrio. me perco. há dias em que uso a metade que não poderia. dias em que me arrependo de ter usado a que não gostaria. porque elas brigam dentro de mim, as metades. há algumas mais fortes. outras ferozes. há partes quase indomáveis. metades que me fazem sofrer nessa luta diária. do não deixar que uma mate a outra. porque uma metade de mim acredita que é por saber como tudo termina na minha vida, quer abandonar esta história por aqui. incompleta. eu, hoje, dividida entre as duas metades, tenho medo de cortar dois pontos dessas nossas reticências e deixar apenas um. o final. mas minha outra metade ainda insiste em acreditar que um dia, quem sabe pode dar certo.

então fica assim... tudo certo, mas nada combinado!

Próximo..

E eu só queria te mostrar o outro lado.
E eu só queria te dizer a verade
E eu só queria mostrar como você poderia ser feliz..

E eu só queria o maldito garoto de franja e óculos na qual deposito minhas emoções diárias
E por todo lado vejo que aprendi a caminhar com você

agora? juntos?


Um beijo e um sorriso...

4 comentários:

HIRO OKADA disse...

uau!
auhauhauh
o que posso dizer?
bate tudo no liquidificador...
acende duas labaretas e chama isso de vida!

Anônimo disse...

Sobre o Lâmina...
Lívia não vou dizer que me surpreendi com seu texto porque seu talento pra mim já é evidente,mas devo dizer que fiquei maravilhada com a habilidade textual,no que se diz respeito ao uso de pontuação(que leva ao seu momento de reflexão),metáforas (que leva a compreender da confusão do seu sentimento e do seu Eu). Incrível!
Flávia*

Nanda disse...

livia....livia...
estou começando a compreender o que as duas mocinhas que moram com vc me falaram...

sobre o Lâmina... Fantástico...
eu também erro a mão constantemente, aliás as minhas metades entram em conflito diariamente o que me deixa mais surtada...
opa! roubei seu texto...rs

meus parábens vc escreve muito!

Fernanda Oliveira

Anônimo disse...

Hoje encontrei uma imagem de Nossa Senhora do Equilíbrio. Dentre muitas fotos e muitos santinhos que ganhei de minha tia quando fui morar fora pela primeira vez.
Pensei muito sobre imagens, essas de ícones. E imaginei se pudéssemos aprender a desenhar dentro de nós mesmos, como imagem, uma balança que pesasse as doses direito.
SErá que algum dia a gente vai aprender a receita pra não errar a dosagem? será que isso existe?
Tudo certo, nada combinado.
=)
Acordo de cavalheiras.
Te amo.
Lu